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Gravação
Com trechos inaudíveis, fala de Temer a Joesley sobre Cunha é inconclusiva
O presidente Michel Temer (PMDB) (Foto: Reprodução)
Em 19/05/2017 às 06:20

Na gravação divulgada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o momento em que o presidente Michel Temer (PMDB) diz "Temos que manter isso, viu?" conta com vários trechos inaudíveis. Sem a transcrição oficial do diálogo, não é possível cravar que o presidente fez o comentário dando aval aos pagamentos ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para comprar seu silêncio, conforme informou na noite de ontem reportagem do jornal "O Globo".

A gravação tem ao todo 38min57s. O trecho em que Joesley Batista, dono da JBS, trata com Temer sobre o seu relacionamento com Cunha, que está preso por ordem do juiz federal Sergio Moro, dura cerca de três minutos.

É possível compreender todos comentários de Batista durante este momento da conversa. A voz de Temer, contudo, é inaudível diante de várias questões colocadas pelo empresário, que portava um gravador escondido.

Até o momento, o STF não divulgou a transcrição oficial da gravação.

Outra maneira de confirmar o que foi dito por Temer seria a delação homologada pelo Supremo. No entanto, Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte, ainda não retirou o sigilo do inquérito aberto nesta quinta-feira (18) para investigar o presidente.

O assunto é tratado quando Joesley pergunta a Temer como está a relação dele com Cunha. Em seguida, o empresário disse que fez o "máximo que deu ali", "zerei tudo", para explicar que não tinha mais pendências com o ex-deputado.

Cunha, que está preso em Curitiba, tem indicado nos bastidores a ideia de fazer um acordo de delação premiada com a Lava Jato.

Na conversa, Joesley disse que trata de outros assuntos com o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB). Os comentários de Temer sobre Geddel, também investigado na Lava Jato, são incompreensíveis.

O dono da JBS afirma que houve vazamentos de conversas entre Cunha e Geddel que poderiam comprometer o grupo. Neste mesmo comentário de Joesley, ele declara a Temer "O que mais ou menos eu dei conta de fazer até agora: eu tô bem com o Eduardo, ok", diz Joesley.

Temer responde "Tem que manter isso, viu?", mas o que ele fala a seguir é inaudível.

Segundo o blog do Josias, Temer estava cercado de ministros ao ouvir o áudio da gravação feita clandestinamente pelo empresário Joesley. Um dos presentes revelou que a reação do presidente foi de alívio. "A montanha pariu um rato", disse Temer, com um sorriso nos lábios. Para ele, não há na fita nada que possa incriminá-lo.

Veja a transcrição do diálogo:

BATISTA: Queria primeiro dizer o seguinte: "tamo junto" aí. O que o senhor precisar de mim, viu, me fala.

TEMER: Está bom, mas tem que esperar passar essa...

BATISTA: E vim te ouvir um pouco, como é que o senhor está nessa situação toda do Eduardo [Cunha]?

TEMER: O Eduardo resolveu me fustigar. Você viu quê...

BATISTA: Não sei, como que tá essa situação?

TEMER: [inaudível] O Moro indeferiu 21 perguntas dele que não têm nada a ver com a defesa dele. Era pra amedrontar: "Eu não fiz nada, eu não sei o quê", e no Supremo Tribunal Federal, olha só, que fatalidade. E ele está aí, rapaz, mas...

BATISTA: Queria falar assim: dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de alguma pendência daqui pra ali zerou, tal. Ele [Cunha] foi firme em cima, ele já tava lá, veio, cobrou... Pronto, eu acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que tá aqui, né... O Geddel sempre tava...

TEMER: [inaudível]

BATISTA: Isso, que o Geddel é que andava sempre ali. Mas o Geddel também, com esse negócio eu perdi o contato, porque ele virou investigado, agora eu não posso encontrar ele...

TEMER: É, tá complicado, tá complicado [inaudível]. Obstrução de Justiça [inaudível]

BATISTA: O negócio dos vazamentos, o telefone lá do Eduardo com o Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o quê. Eu tô lá me defendendo. O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora: eu tô de bem com o Eduardo, ok

TEMER: Tem que manter isso, viu? [inaudível]

BATISTA: Todo mês...

TEMER: [inaudível]

BATISTA: Também. Eu tô segurando as pontas, tô indo. Meus processos, eu tô meio enrolado aqui, né [Brasília]. No processo [inaudível]

BATISTA: Isso, é, investigado. Não tenho ainda a denúncia. Aqui eu dei conta, de um lado, do juiz, dar uma segurada, do outro lado, do juiz substituto, que é um cara que fica.... [inaudível]

TEMER: Tá segurando os dois...

BATISTA: Tô segurando os dois. Consegui um procurador dentro da força tarefa, que tá, também tá me dando informação. E lá que eu tô para dar conta de trocar o procurador que tá atrás de mim. Se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal. O lado ruim é que se vem um cara com raiva ou com não sei o quê...

BATISTA: O que tá me ajudando tá bom, beleza. Agora, o principal... O que tá me investigando. Eu consegui colar um [procurador] no grupo. Agora eu tô tentando trocar

TEMER: O que tá... [inaudível]

BATISTA: Isso! Tamo nessa aí. Então tá meio assim, ele saiu de férias, até essa semana eu fiquei preocupado porque até saiu um burburinho de que iam trocar ele, não sei o quê, fico com medo. Eu tô só contando essa história para dizer que estou me defendendo aí, to me segurando. Os dois lá estão mantendo, tudo bem.

Segundo o jornal "O Globo", o dono da JBS, Joesley Batista, afirmou à PGR (Procuradoria-Geral da República) que o presidente Michel Temer sabia que ele pagava uma mesada para manter calados o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) e o operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato.

De acordo com a publicação, as informações fazem parte de uma delação de Joesley que ainda não foi homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O depoimento do empresário foi dado à PGR em abril e, no dia 10 passado, o conteúdo foi comunicado ao ministro do Supremo Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte.

Ainda de acordo com o jornal, a conversa entre Joesley e Temer teria acontecido no dia 7 de março no Palácio do Jaburu. O empresário teria gravado a conversa com um gravador escondido.

Em pronunciamento na tarde desta quinta, Temer negou ter dado aval à compra de silêncio. ?"Ouvi realmente o relato de um empresário, que, por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse e somente tive conhecimento de fato dessa conversa pedida pelo empresário. Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém, por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação. Não preciso de cargo público nem de foro especial, nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome: na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos, e nunca autorizei, por isso mesmo, que usassem meu nome indevidamente".

Em nota publicada ontem, Temer confirmou o encontro, mas disse que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha" e negou ter participado ou autorizado "qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

Fonte: UOl

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