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Reintegração de posse
Diocese quer anular venda e ter de volta terras que pertenciam ao Padre Cícero
Frei Damião é um dos bairros que devem ser atingidos pela ação de reintegração de posse da Diocese (Foto: Serena Morais/Jornal do Cariri)
Em 14/11/2017 às 06:50

Na Diocese do Crato, a ordem é questionar na Justiça todas as transações comerciais envolvendo as terras deixadas pelo padre Cícero Romão Batista para Nossa Senhora das Dores, e que foram negociadas ao longo das últimas décadas sem o aval do bispo da época. O objetivo é aumentar o patrimônio da instituição.

O processo, movido com a anuência do bispo dom Gilberto Pastana, pretende reintegrar as terras deixadas pelo sacerdote a Nossa Senhora das Dores e que compõe uma extensa área urbana de Juazeiro do Norte. Bairros inteiros, como o Frei Damião, além de prédios de apartamentos, devem sofrer com a ação.

Setores comerciais e industriais da cidade também devem ser atingidos. Empreendimentos como o Assai Atacadista, Maxxi Atacado e Atacadão, além de várias revendedoras de automóveis localizadas na rodovia que liga Juazeiro a Crato, terão que brigar na Justiça para manter sua posse. Outros setores governamentais, como o Detran, também deverão sofrer com a ação.

No processo, a Igreja pretende questionar a autoridade do Monsenhor Murilo de Sá Barreto, que fez as negociações. Atualmente, a Diocese trava uma batalha judicial com o empresário Francisco Pereira da Silva, proprietário da FP Empreendimentos Imobiliários LTDA., pelo controle do Loteamento Vila Real II.

Para a Diocese, a ação contra a FP Empreendimentos é apenas a primeira e servirá como base para todas as outras que estão a caminho. Especialistas em economia temem pela turbulência financeira que o processo poderá causar. Segundo padres e leigos, que preferem não se identificar, a Diocese está falida e a medida extrema servirá para melhorar a situação dos cofres da Igreja. Ainda segundo informações, o irmão do bispo, o ex-prefeito de Belterra, no Pará, tem feito assessoria informal à Diocese para avaliar as áreas comercialmente.

De malas prontas para o Cariri, Geraldo Irineu Pastana responde a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), por ausência de prestação de contas de recursos destinados à Educação. O irmão de dom Gilberto é acusado de desvio de recursos e responde a outros 12 processos por improbidade administrativa.

Patrimônio dilapidado

Em setembro de 2013, Fernando Panico autorizou a venda de 65 casas da Diocese, abaixo do valor de mercado. O esquema consistia em vender os imóveis a um ‘laranja’, que depois negociaria as residências no valor de mercado, repassando a diferença diretamente ao bispo.

As casas foram vendidas por R$ 60 mil, mas estavam avaliadas em R$ 280 mil. O negócio deveria movimentar a cifra milionária de R$ 14 milhões. A denúncia de estelionato e formação de quadrilha veio à tona pelos próprios moradores. Apesar da intervenção da Justiça, em junho de 2015, novas denúncias mostraram que as casas estariam sendo negociadas novamente.

Outra investida de Panico foi a simulação de projetos, junto a instituições internacionais. Dom Fernando recebeu dinheiro de fora do país, com notas frias e justificadas com fotomontagens. O esquema rendeu mais de R$ 500 mil aos envolvidos. Entre as instituições lesadas está a Kinder Missions Weak, de Aachen-Alemanha.

Apesar dessa arrecadação gigantesca, a Diocese passa por dificuldade financeira. Entre os anos de 2011 e 2012, foram emitidos cerca de 35 cheques sem fundo e vários títulos foram protestados. A Diocese chegou a receber ordem judicial de busca e apreensão de bens que estavam a serviço do então bispo Fernando Panico.

Fonte: Jornal do Cariri

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