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Mudança de embaixada
Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel
Palestinos assistem ao discurso do presidente norte-americano Donald Trump em um café em Jerusalém. Trump reconheceu a cidade de Jerusalém como a capital de Israel (Foto: Ahmad Gharabli/AFP)
Em 07/12/2017 às 07:30

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira Jerusalém como capital de Israel e anunciou que vai mudar a embaixada americana no país para a cidade sagrada.

“O meu anúncio hoje marca o início de uma nova abordagem do conflito entre Israel e os palestinos”, afirmou. “Julgo que esta ação seja para o melhor dos Estados Unidos e da busca pela paz entre Israel e os palestinos”.

O presidente americano garantiu que permanece comprometido com as negociações entre os dois lados. “Os Estados Unidos continuam profundamente empenhados em ajudar a facilitar um acordo de paz aceitável para ambos os lados. Pretendo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar a forjar tal acordo”, disse.

A transferência da representação diplomática de Tel -Aviv para Jerusalém foi uma das principais promessas de campanha de Trump. O estatuto da cidade é um tema-chave no conflito israelense-palestino, e ambas as partes reivindicam a cidade como sua capital.

A questão de Jerusalém

Jerusalém abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos e, por isso, é central no conflito entre Israel e os palestinos. Em 1947, o Plano de Partilha da Palestina estabeleceu que Jerusalém seria administrada por um conselho tutelar da ONU, em regime internacional. A resolução, contudo, nunca foi cumprida.

Com o armistício após a Guerra de Independência de Israel, em 1949, a cidade acabou dividida pela primeira vez em seus 3.000 anos de existência –a porção ocidental controlada por Israel e a porção oriental, incluindo a Cidade Velha, onde se concentram os principais sítios de significância histórica e religiosa, controlada pela Jordânia.

A divisão da cidade marcou o imaginário social israelense, principalmente porque a Jordânia interditou o acesso de judeus (e de cristãos árabes-israelenses) a áreas sagradas da religião, dessacrando locais como o Muro das Lamentações, o Monte das Oliveiras e destruindo mais de cinquenta sinagogas.

Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel conquistou e ocupou a porção oriental e reunificou a cidade. Desde então, o país afirma que Jerusalém unificada é sua capital indivisível. Já os palestinos reivindicam a parte oriental da cidade como futura capital de seu Estado.

Desde 1967, apesar de Israel exercer de facto sua soberania sobre Jerusalém, os locais sagrados para o Islã permanecem sob a administração do Waqf (patrimônio religioso) da Jordânia.

A posição da maior parte da comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, é a de que o status da cidade deve ser decidido em negociações de paz: em seu anúncio hoje, Trump esclareceu que apesar de estar reconhecendo Jerusalém como capital israelense e de ter decidido iniciar o processo de mudança da embaixada americana para a cidade, isso não significa uma mudança na posição americana ou um reconhecimento das fronteiras municipais atuais.

Todos os países mantêm atualmente suas embaixadas em Tel-Aviv, o principal centro comercial de Israel. Nem sempre isso foi assim. Mesmo sem o reconhecimento explícito de Jerusalém como capital israelense, dezesseis países já mantiveram embaixadas na cidade desde 1950: Bolívia, Chile, Colômbia, Costa do Marfim, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Holanda, Panamá, Quênia, República Dominicana, Uruguai, Venezuela e Zaire (atual República Democrática do Congo). Costa Rica e El Salvador mudaram suas missões diplomáticas para a região de Tel -Aviv entre 2005 e 2006.

Embaixada americana

A transferência da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém e o reconhecimento da cidade como capital de Israel já eram previstos por uma lei aprovada pelo Congresso americano em 1995. A legislação determinava que a mudança deveria ser concretizada até maio de 1999, porém estabelecia a possibilidade de adiamento do prazo a cada seis meses em nome de interesses de segurança nacional americana, caso necessário.

Todos os presidentes americanos se utilizaram da cláusula de adiamento desde então –mesmo Trump, em junho de 2017, decidiu adiar a mudança por mais um período. A nova data para determinar se a mudança ocorreria ou não expirou na última sexta, 1º de dezembro, sem que houvesse sido assinada.

Desde então, muitos rumores sobre as intenções do presidente em reconhecer Jerusalém como capital israelense tomaram os noticiários. A declaração desta quarta põe um fim à dúvida sobre a posição americana, mas abre um período de incertezas na região.

Fonte: Veja

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