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Em 2017

Ceará é primeiro lugar em doadores de medula

Em 17/01/2018 às 06:20
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O Estado atingiu a marca de 170.399 registros de doadores, ficando à frente da Bahia (148.287) e Pernambuco (124.984); o último lugar das duas regiões foi do Acre, cuja quantidade de cadastros totais alcançou 8.261 pessoas) (Foto: Reprodução)

O Estado do Ceará garantiu a primeira colocação no total de cadastros no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redoma) entre as unidades federativas das regiões Norte e Nordeste, de acordo com dados relativos ao ano de 2017.

Segundo o relatório, o Estado atingiu a marca de 170.399 registros de doadores, ficando à frente da Bahia (148.287) e Pernambuco (124.984). O último lugar das duas regiões foi do Acre, cuja quantidade de cadastros totais alcançou 8.261 pessoas.

Na esfera nacional, o Brasil conseguiu ascender mais 284 mil voluntários cadastrados e chegou a 4.494.407 registros. O perfil majoritário desses doadores contabilizados pelo Redome é de pessoas do sexo feminino, raça branca, entre 30 e 34 anos.

No Ceará, o cadastro pode ser realizado nos postos de coleta do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), em Fortaleza, e no Interior do Estado. De acordo com a coordenadora do Núcleo de Captação de Doadores do Hemoce, Nágela Lima, a ênfase nas campanhas é na atualização das pessoas já cadastradas. "O Redome encontra muita dificuldade quando, ao achar um paciente compatível, não consegue contatar o doador por não ter os dados corretos", acrescenta a técnica.

Novos cadastros

Por outro lado, o Ceará apresentou queda na quantidade de novos cadastros voluntários de medula óssea, após quatro anos de intenso crescimento. O Estado vinha contabilizando 7.942 em 2013, 13.361 em 2014, e 14.856 em 2015. Conforme o Redoma, a diminuição no Estado foi de 40% nos últimos dois anos. Em 2016, o Hemoce conseguiu contabilizar 15.737 novos registros; em 2017, foram 9.357 - maior decréscimo do que o Brasil, cuja taxa de novos cadastros caiu 14% em igual período.

Entretanto, apesar da queda, segundo Nágela Lima, "os cearenses são muito solidários, sempre atendem nossas convocações", relata, ao defender a ampliação dos bancos de doadores.

Há pelo menos duas décadas, André Lima, 43, é fiel doador no Ceará. "Eu já presenciei milagres, pacientes com 5% de sucesso no transplante que vivem bem hoje", relata o farmacêutico. A motivação inicial para se tornar um doador, no entanto, foi do irmão. Desde então, André já concedeu sangue, plaquetas e medula óssea para diversos receptores no Brasil; esta última viajou quase 2,6 mil km para encontrar Gabriel, de 20 anos, no Rio de Janeiro.

Chance de cura

O jovem havia sido diagnosticado aos 15 anos com leucemia linfoide aguda (LLA), e sua única chance de cura era por meio do transplante. "Encontrar com o Gabriel foi uma das maiores emoções da minha vida", relata o farmacêutico, lembrando que a compatibilidade entre a medula dos dois foi de 100%.

Após passar os dois anos exigidos pelo Redome sem informações sobre o receptor da medula, André foi procurado pelo instituto e, posteriormente, pela mãe de Gabriel. "Fiz a doação em outubro de 2013 e é, sim, um momento único, salvar a vida de alguém, saber que seu sangue, seu DNA está correndo dentro de alguém", admite André.

O momento do encontro, em agosto de 2016, como narra o farmacêutico, foi indescritível. "Eu olhei para ele, dei um abraço, e falei: ´cara, deixa eu sentir teu coração´". Desde então, os dois ainda mantêm contato. "Eu, antes de conhecê-lo, só pedi a Deus que o ajudasse e desse tudo certo. Hoje a gente virou uma família".

Doe de Coração

Em 2018, o Movimento Doe de Coração, promovido pela Fundação Edson Queiroz, completa 16 de anos de existência e atuação no Ceará. A iniciativa tem parceria com hospitais públicos e privados e envolve, principalmente, a veiculação de anúncios em jornais, portais de notícias, rádios e emissoras de televisão, além da distribuição de fôlderes e cartazes.

Os colaboradores do Grupo Edson Queiroz vestem a camisa do movimento na intenção de alcançar e impactar o maior número de pessoas, consequentemente, aumentando as doações de órgãos no Estado.

Fonte: Diário do Nordeste

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