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Legitimidade do sacramento

Católicos conservadores criticam Papa por casamento em voo no Chile

Em 20/01/2018 às 16:15
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Papa Francisco casa comissários. (Foto: Reprodução)

O Papa Francisco emocionou fiéis e animou internautas ao sugerir e casar dois comissários de bordo durante um voo doméstico no Chile. Mas nem todos viram ternura no gesto: a classe católica conservadora questionou a legitimidade do sacramento de Carlos Ciuffardi, de 41 anos, e Paola Podest, de 39, e alertou que a benção do pontífice a 36 mil pés de altitude poderia enfraquecer e banalizar a preparação marital. Parte dos religiosos, porém, vê uma "mudança de paradigma" na instituição e o esforço de trazer casais de volta à igreja.

"Você sabe o que é um casamento sujeito à anulação? Um celebrado aparentemente por um capricho, em um avião, cujo celebrante não pode assegurar que as partes são validamente batizadas", tweetou a conta do blog Rorate Caeli, afeito às tradições da religião.

Nesta quinta-feira, Francisco recebeu um casal de comissários da Latam que o pediam para abençoar a união. Os dois trabalhavam no voo que levou o pontífice, sua delegação e a imprensa até Iquique, próxima parada de sua viagem pela América do Sul. Foi o próprio Francisco que sugeriu a Ciuffardi e Paola se casar logo ali, já que o sonho da cerimônia religiosa fora adiado por um terremoto no país, em 2010. Um porta-voz do Vaticano frisou que a celebração era doutrinamente e canonicamente válida.

Parte dos católicos entendeu o gesto de Francisco como uma forma de incentivar a oficialização das uniões na Igreja em um momento em que os casais cada vez mais meramente vão morar juntos, sem necessariamente subir ao altar.

Francisco já havia dividido membros da Igreja Católica ao autorizar a comunhão de divorciados e casados pela segunda vez no civil. Já a revista britânica "The Tablet", em sua área dedicada ao Vaticano, ressaltou que as núpcias a bordo são parte de uma "mudança de paradigma" que o argentino quer liderar na instituição.

"Não é que o papa esteja driblando as regras da lei canônica ou da burocracia, mas assegurando que elas sejam prioridade. Para o papa, essas coisas devem espalhar a palavra da religião", frisou a publicação.

A cena do casamento a bordo, que repercutiu pelo mundo, trouxe um ar leve a uma viagem dominada pela discussão sobre o abuso sexual de sacerdotes contra crianças no Chile. Mas irritou os conservadores. O advogado canônio Ed Peters, consultor da alta Corte do Vaticano e aberto crítico do líder argentino, questionou se as leis católicas foram cumpridas na ocasião. Ele lembrou que, antes do matrimônio, o casal precisaria passar por aconselhamento pastoral, e a Igreja precisa comprovar que não havia obstáculos para a união.

Em postagem, Peters destacou uma notícia da mídia chilena de dezembro na qual o casal dizia esperar por um casamento a bordo presidido pelo papa Francisco. A reportagem seria uma evidência de que a celebração não foi uma surpresa. Em sua defesa, o noivo frisou que jornalistas chilenos deram a ideia, mas ressaltou que ele e a mulher só pediram uma benção, sem ter nada confirmado antes da viagem.

O blogueiro conservador Phil Lawler escreveu que, após o precedente do casamento aéreo, os bispos devem ter mais dificuldade para preparar os casais católicos para o casamento.

"Ele os pediu que refletisse seriamente sobre o compromisso? Não. Ele os questionou sobre os anos em que moraram juntos? Evidentemente não. Eles ouviu suas confissões? Improvável. Planejaram uma cerimônia digna? Não mesmo", atacou o advogado no site "Catholic Culture".

Fonte: Extra Online

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