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Arivânio Alves

Pintor da zona rural de Quixelô já expôs até em Paris

Em 20/01/2018 às 17:30
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Sua obra mais conhecida é o painel "Os índios Quixelôs" pintado com a técnica indígena do toá, que atualmente está exposta no Centro Cultural de Quixelô. (Foto: Honório Barbosa)

A infância pobre no Sítio Poço da Pedra, zona rural deste Município, fez com que Arivânio Alves do Nascimento, 24, fizesse suas primeiras pinturas usando pigmentos de folhas e flores esmagadas. Na escola, conseguia lápis grafite e, nas folhas de papel, a imaginação ganhava formas. As professoras e amigos observavam e achavam que o artista autodidata levava jeito para pintura.

Estavam certos. Em pouco tempo e mesmo com condições precárias, Arivânio Alves já conseguiu expor um dos seus quadros em uma feira livre, em Paris, na edição Carrossel do Louvre 2017. Outros trabalhos foram selecionados e participaram da Bienal Internacional de Arte Naif Totem Cor-Ação 2017, em Socorro (SP).

O artista plástico tem se dedicado à arte naif, cujo termo está relacionado com ingênuo e pertence à pintura de artistas sem formação acadêmica sistemática. É também conhecida por arte primitiva moderna. Não se observa aplicação de técnicas de perspectiva, cores, sombra e geometria. Entretanto, é um estilo que vem ganhando desenvolvimento e espaço em galerias e mostras nacionais e regionais.

Arivânio Alves define que a sua produção valoriza a pintura de cunho regional, popular, livre e espontânea. Autodidata, chegou a fazer um curso de desenho à mão livre no Instituto Cultural de Quixelô, que teve como instrutor Mauro Martins. "Aprendi noções básicas e tive oportunidade de conhecer tintas - acrílico e óleo", contou.

O próprio artista estabelece separação de sua arte. "Aplicação de luz, sombra, perspectiva não é para mim". No Centro Cultural de Quixelô, teve oportunidade de ler livros sobre história e técnica da arte, além de buscar informações pela Internet.

Inspiração

Casado recentemente, Arivânio Alves continua morando no Sítio Poço da Pedra. Nos fundos da casa do pai, há um pequeno ateliê. Galinhas e pintos caminham tranquilamente. Próximo, há um chiqueiro. Em meio à vida simples, ele busca inspiração nas paisagens e nos personagens do sertão árido, na produção agrícola, na criação de animais, na vida de sua gente sofrida pela escassez de água. A beleza da zona rural, a sua gente, casas, a pobreza, a religiosidade, o trabalho na roça são retratados nas telas do artista que recentemente ganhou exposição na cidade e também no Centro de Atividades do Serviço Social do Comércio (Sesc) em Iguatu.

O sonho de Arivânio é continuar participando de concursos, feiras e mostras da arte naif. "Quero aprimorar minha técnica", disse. Recentemente, concluiu o curso de Pedagogia. "Estou esperando emprego, trabalho, pois é difícil viver da arte. O mercado regional é restrito, fechado e exclusivista", observa.

Embora com reduzido material (tintas, pincéis), Arivânio pretende participar, no primeiro semestre deste ano, do Festival Internacional de Arte Naif, em Guarabira (PB). Está preparando novas telas. No ateliê, quase não há quadros de sua autoria. Na parede, há telas presenteadas por colegas. A maior parte do acervo está com amigos. Sua obra mais conhecida é o painel "Os índios Quixelôs" pintado com a técnica indígena do toá, que atualmente está exposta no Centro Cultural de Quixelô.

Em 2016, Arivânio Alves recebeu menção honrosa na Bienal Naif do Brasil, promovida pelo Sesc de Piracicaba (SP), com a tela "As Adventistas". O artista teve duas obras selecionadas para a mostra Arte Naif Nacional, neste ano, na cidade de Mogi das Cruzes (SP), no Centro Cultural de Suzano (SP) e na Casa Fox em Paranapiacaba (SP).

Possui uma obra no acervo "Sem Parede", uma instituição sem fins lucrativos que recebe obras de arte e tem como organizador o artista plástico Enzo Ferrara, da cidade de Mogi das Cruzes (SP). O acervo circula por exposições coletivas.

Imagens de suas obras já foram usadas pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará para ilustrar a programação cultural de Fortaleza, em maio de 2017. Desde julho de 2017, tornou-se membro da Associação dos Artistas Profissionais do Ceará. Quatro pinturas foram selecionadas para uma exposição coletiva em Helsinki, na Finlândia.

Simplicidade grandiosa

O crítico de arte Oscar D´Ambrosio salientou que a arte de Arivânio Alves ilustra bem o gênero naif. "Autodidata, parte de situações do seu cotidiano mental para construir uma obra visual que é uma interpretação de mundo. Alves, como boa parte dos artistas populares, tem na simplicidade a sua principal característica. Mas isso não significa simplismo. Pelo contrário, a maneira como articula temas, cores e formas traz elementos biográficos e memórias afetivas que erguem um castelo mental muito próprio".

Destaca, ainda, que Arivânio apresenta uma sinceridade que torna sua arte modelar. "Conceituá-la ou validá-la aos olhos eruditos torna-se desnecessário. Seu fazer se cristaliza no universo da percepção. Há ali um cronista, no sentido de viver cada instante com grande poder de observação".

Mais informações:

Secretaria da Cultura de Quixelô
Telefone: (88) 9 9729-8116

Arivânio Alves
Telefone: (88) 9 9631-8404

Fonte: Diário do Nordeste

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