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Em Fortaleza

Vítimas da chacina são lembradas em celebrações

Na Catedral Metropolitana de Fortaleza, no Centro, durante a celebração comandada pelo pároco da Catedral, padre Clairton Alexandrino, bandeiras brancas foram agitadas em um pedido de paz (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)
Em 03/02/2018 às 06:45

Com bandeiras brancas agitadas em um pedido de paz, as vítimas da maior Chacina já registrada no Estado do Ceará foram homenageadas, na noite dessa sexta-feira (2), na Missa de 7º Dia realizada na Catedral Metropolitana de Fortaleza, no Centro. Durante a celebração, o padre Clairton Alexandrino, lembrou as elevadas estatísticas de assassinatos de jovens no País, pedindo inspiração das autoridades para descobrir formas eficientes de combater o problema.

Entre as mensagens, o pedido para que a humanidade combata o mal com o bem. "Estamos rezando pelos falecidos, para que Deus conforte as famílias que perderam seus entes queridos e para que a sociedade receba de Deus a graça de perceber aquilo que constrói a paz e aprenda a se empenhar de corpo e alma na construção da Justiça" disse o pároco da Catedral.

O grande apelo, de acordo com o padre, é para que as famílias se convertam na proposta de amar Jesus, que é o responsável pela revolução baseada no amor que une e aproxima o que é diferente. "Em Deus eles vão encontrar o consolo e também a capacidade de orientar os seus filhos para que eles vivam essa dimensão do perdão, do amor e da Justiça, isso é que é importante, porque aonde não há Deus o que pode acontecer é angústia, o sofrimento, a divisão e a morte".

Durante a homilia, o padre Abimael Nascimento destacou o papel do Estado na repressão à violência crescente, assim como a responsabilidade das famílias de educar as novas gerações e da necessidade de guardar a todos, como verdadeiros irmãos.

"Os estados devem garantir que se preserve a vida de todos, mas as famílias devem educar para que se responda a pergunta sobre quem é o teu irmão, devendo responder como cristão. Mas essa resposta vai muito além do cristianismo. Diante desta violência crescente, diante das lágrimas derramadas perguntamos: quem é o teu irmão? Onde está o meu irmão? E nos esforçamos para que o Estado de fato cumpra o seu dever de guardar o irmão e para que nós, com a identidade cristã, sejamos os primeiros a querer guardar o nosso irmão", disse o padre Abimael.

Emoção

Na comunidade do Barreirão, no bairro Cajazeiras, local no qual 14 pessoas foram assassinadas no último sábado, 27, a celebração emocionou o público presente, especialmente familiares e amigos das vítimas.

A força-tarefa de várias igrejas protestantes conseguiu unir a comunidade em torno do ´Forró do Gago´. Diversos pastores das Cajazeiras e da Sapiranga rezaram pelas vidas perdidas na região e pelo conforto divino a ser dado aos familiares das vítimas. A estrutura contou com um caminhão - cedido por um morador da comunidade -, além da equipamento sonoro e do aluguel de ônibus para levar pessoas do bairro próximo, patrocinados pela Prefeitura de Fortaleza e também pelo Governo do Estado do Ceará.

A comunidade, presente em sua grande maioria no culto evangélico, usou branco, com os dizeres "queremos paz", e pediu Justiça no que eles consideraram um marco na história do bairro. O portão do clube, no qual estava transcrito o "proibido para menos de 18 anos" antes da tragédia deu lugar a uma nova narrativa: "Fortress asks for peace (tradução literal: Fortaleza pede por paz).

De acordo com um dos moradores do Barreirão, "o clima da comunidade está de bênçãos, a população está toda presente, muita gente de outros lugares. Apesar da tragédia que aconteceu, está um lugar calmo e muito grato a Deus".

Durante o culto, abraços foram dados entre os presentes no local e a energia positiva, difícil de ser encontrada dias após o momento do atentado, parece ter encontrado morada na união de familiares e amigos. "Primeiramente, eu acho difícil a Justiça aqui da Terra resolver, mas nada é impossível para Deus, não. A comunidade do Barreirão não quer violência mais, é só paz", afirmou o morador.

Carta

A comunidade se uniu ainda para escrever uma carta endereçada ao Governo do Estado defendendo a história do ´Forró do Gago´ e criticando o foco do Poder Público nas áreas mais abastadas de Fortaleza. "O Governo fica falando que bandidos estavam no clube naquele momento, mas as vítimas revelam outra coisa, pois a sociedade mais carente do Ceará não tem a mesma segurança que a Beira-Mar, Praia do Futuro e Aldeota", escreveram os moradores.

Além disso, o documento também critica a postura do secretário da Segurança Pública, delegado federal André Costa, o qual, segundo os habitantes, "não está capacitado de investigar quem são os mandantes desta barbaridade". Por fim, os moradores pedem ajuda da Justiça na investigação acerca do crime: "Nós queremos uma resposta para identificar esses terroristas covardes que fizeram isso com pessoas humildes", diz o documento.

 

diariodonordeste

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