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Nesta sexta-feira, (2)

PMs são detidos após apreenderem garotos que desenharam nome de facção em Batalhão

Os quatro garotos disseram que escreveram o nome da facção por brincadeira. (Foto: Reprodução/ Tribuna do Ceará)
Em 04/02/2018 às 06:50

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) precisou intervir em impasse entre policiais militares e Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública (CGD) na sexta-feira (2). O fato aconteceu após quatro soldados responsáveis pela apreensão de garotos que teriam desenhado nome de facção na calçada do 22° Batalhão da Polícia Militar, serem detidos, acusados de tortura.

Ontem, a Polícia identificou e apreendeu quatro adolescentes, com idade entre 11 e 14 anos, que teriam desenhado, na calçada do batalhão, a sigla de uma facção criminosa. Segundo os garotos, que estavam acompanhados pelos pais e o Conselho Tutelar, o ato foi uma “brincadeira”, da qual estavam “arrependidos”.

O problema foi que os policiais, que iam fazer a condução dos envolvidos à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), tinham notificação para comparecer à CGD com hora marcada. Diante disso, o comandante da 3a Cia do 22° BPM, major Hideraldo Bellini, autorizou que os PMs fossem ao órgão e voltassem para conduzir os jovens.

Ao chegarem à CGD, foram informados de que um homem, supostamente ligado ao tráfico de drogas na comunidade do Pau Finim, no Papicu, estava os denunciando por agressão aos garotos. Os policiais e a viatura em que trabalham tiveram de passar por vistoria, na qual foi encontrada uma pequena quantidade de drogas. Segundo os PMs, ela ainda seria apresentada à delegacia, resultado das diligências que estavam realizando na comunidade nas últimas 24 horas para identificar os autores da afronta.

Ao ser acusado, um dos PMs teria se exaltado e discutido com o denunciante e uma delegada. Os soldados acabaram recebendo voz de prisão e foram autuados em flagrante por crime de tortura. O fato gerou revolta no comandante do Batalhão que desabafou sobre o caso, em entrevista à repórter Emanuella Braga, do Barra Pesada/TV Jangadeiro.

“Pedi às mães que aguardassem os policias deporem para que, no retorno, a gente fosse à delegacia. Quando os policiais chegaram para serem ouvidos de outro procedimento, tinha um traficante do Pau Finim, e os policiais foram informados de que tinha uma pessoa os denunciando”, pontuou Bellini. “Quatro pais de família foram autuados por tortura de um integrante do tráfico de drogas. Não tem nenhum menino desses com um arranhão, nem um ‘carão’ foi dado”, afirmou.

O comandante ainda criticou a ausência de suporte do Estado aos policiais que “não ganham bem” e não têm estrutura adequada de trabalho. “Depois de quase 48 horas de expediente, vejo meus policias presos na CGD e me pergunto: “onde a gente vai parar, qual estímulo vou dar aos meus policiais?’. Policial não tem que está baixando cabeça pra bandido na frente de policial”, enfatizou.

O caso teria gerado contratempo na cúpula da Segurança Pública do Estado – diante dos últimos casos de violência no Ceará. Os policiais foram liberados horas depois, e o flagrante não foi efetivado. A investigação segue por portaria.

Segundo Bellini, em entrevista ao Tribuna do Ceará neste sábado (3), os órgãos da Segurança chegaram a um consenso de que o suposto denunciante tinha como objetivo tirar os policiais do trabalho nas ruas. Ele afirmou também que o secretário da SSPDS, André Costa, deu todo apoio aos policiais e suporte jurídico.

A CGD confirmou que o flagrante não foi efetivado diante da necessidade de provas da acusação, e os policiais foram liberados.

“Brincadeira

O caso teve início na quinta-feira (1°) quando o nome de um facção amanheceu escrito com pedras de calçamento na calçada do Batalhão, indicando possível afronta do grupo de criminosos. Desde então a Polícia reforçou a busca pelos autores do crime.

No Batalhão, um dos garotos contou à reportagem que eles decidiram fazer a “brincadeira” enquanto estavam jogando bola. Eles pediram desculpa aos policiais e afirmaram não ter nenhum envolvimento com facção criminosa.

A avó de um deles confirmou que foram as famílias que levaram os adolescentes até a delegacia após eles confessarem o ato, com acompanhamento do Conselho Tutelar.

O conselheiro Marcelo Lemos, que acompanhou o caso na delegacia, pontuou que foram bem atendidos e perceberam que não houve nenhum tratamento inadequado aos garotos e às famílias.

“Como se tratava de um crime numa área militar da gente, uma afronta a um batalhão, pedi que diligenciassem ininterruptamente. Houve contratempo, mas, com pouco tempo, foram identificados, e pedimos às famílias que trouxessem os jovens. Para minha surpresa, tem jovem de 11 anos. Nem sabem o que é facção. Na minha época, a briga era (pelos times) Fortaleza e Ceará. Hoje, você pergunta se ele fez a Crisma, o Catecismo, ele não sabe nem o que é isso”, desabafou o major.

Tribuna do Ceará

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