Segunda-feira
25 de Junho de 2018
Publicidade
Publicidade
Segunda-feira, 25 de Junho de 2018
Publicidade
Publicidade
Trânsito

Existe uma moto para cada sete pessoas no Ceará

Em 19/02/2018 às 07:00
Compartilhar
O crescimento é avaliado com preocupação por autoridades e pesquisadores, principalmente pelos acidentes com mortes ou sequelas (Foto: Reprodução/ Diário do Nordeste)

A frota de motocicletas cresceu 210% nos últimos dez anos no Ceará, segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE). Em 2007, 426.1 mil circulavam no Estado. Em dezembro de 2017, esse número pulou para 1.320 milhão. Enquanto que, no mesmo período, o número de habitantes registrou aumento de 10%, passando de 8.185 milhões para 9.022 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso significa que, para cada grupo de sete pessoas, existe uma moto registrada no Órgão. Essa relação já foi de 19 para uma.

As motos já representam 43,13% do total da frota no Estado. Em 2007, eram 37%. Em Fortaleza, esse avanço também é observado. Há dez anos, o total desse modal era de 93,9 mil unidades e hoje já somam 283.8 mil, um aumento de 202%. A Capital tem uma moto para cada nove pessoas. Antes eram 26 para cada modal do tipo, quando, pela estimativa do IBGE, eram 2.431 milhões de habitantes.

Esse crescimento é avaliado com preocupação por parte das gestões estadual e municipal, além dos especialistas em engenharia de trânsito. Isso tanto pelo número de acidentes envolvendo motos com mortes ou com sequelas, como pela forma arriscada como muitos circulam, sem o uso do equipamento de segurança como capacetes ou calçado apropriado.

Para o superintendente da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), Arcelino Lima, a questão é sim preocupante e de difícil resolução. A conduta de muitos motociclistas é irregular, aponta, eles burlam a fiscalização eletrônica chegando a deitar no veículo em movimento para tapar a placa com o pé ou pedir para a pessoa da garupa colocar a mão para passar no sinal vermelho ou avançar a faixa de pedestres. "É complicado, pois a Lei não permite que ele ande de chinela, mas não obriga o uso de calçado fechado e, em muitos acidentes, são muitas as lesões no pé, como queimaduras ou até a necessidade de amputação. A ideia é provocar a mudança na Lei em discussão nacional", informa.

Arcelino esclarece que a AMC reforçou a fiscalização, assim como as blitze educativas exclusivas para o condutor desse modal, sempre orientando para o uso do capacete que deve estar afivelado. Segundo ele, paralelo a isso, o investimento na melhoria do transporte público também visa reconquistar o usuário. Uma meta para este ano é a instalação de uma pista de treinamento para os condutores do modal como forma de capacitar e educar. "Além disso, temos as faixas de retenção, ação que já tem bons resultados e diminui o conflito com os motoristas de automóveis", diz.

Para o professor do Departamento de Engenharia de Trânsito da Universidade Federal do Ceará (UFC), Mário Azevedo, mais do que contar a frota, é necessária uma fiscalização muito mais forte, tendo como exigências principais, a carteira de habilitação categoria A e uso dos equipamentos de segurança. "No Interior, é muito comum observar a pessoa pilotando o veículo descalço, sem habilitação, sem capacete. Se a regra número um é descumprida, como a obrigatoriedade da carteira, na cabeça dessa pessoa, tudo é possível, colocando a sua vida e a de outros em risco", analisa.

Para ele, se a fiscalização de motociclistas no Interior conta com o apoio da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), ela só poderá ser eficaz quando todos os municípios tiverem as próprias autarquias de trânsito.

O Detran salienta que um dos principais projetos implantados pelo órgão com foco em Educação para o Trânsito tem sido a Formação, Educação, Qualificação e Habilitação Profissional de Condutores por meio do programa de CNH Popular, que já beneficiou mais de 200 mil pessoas em mais de 160 municípios.

A Seguradora Líder, administradora do DPVAT, alerta que a motocicleta foi o veículo com o maior número de indenizações de janeiro a novembro de 2017. Apesar de representar apenas 27% da frota nacional, concentrou 74% das indenizações. Daquelas pagas no período para acidentes com motocicletas, 79% foram para invalidez permanente e 7% para morte. As vítimas de acidentes com motocicletas são, em maioria, jovens em idade economicamente ativa.

Diário do Nordeste

Publicidade
Compartilhe
Comentários
Publicidade
Publicidade
Publicidade
TJ Seguros
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
© ACONTECEU, TÁ NO MISÉRIA
Quer reproduzir nosso conteúdo no seu blog ou site? Estabeleça uma parceria clicando aqui.
Desenvolvido por Kleber Ferreira