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Investigação

Cúpula do PCC gastou R$ 8,6 milhões em carros e imóveis ao chegar no Ceará

Em 21/02/2018 às 07:00
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Uma mansão no condomínio Alphaville Fortaleza foi adquirida pelos criminosos ano passado pelo preço de R$ 2 milhões (Foto: Reprodução/ Diário do Nordeste)

O esquema criminoso idealizado pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) conseguiu se tornar o mais lucrativo e organizado do País: uma cúpula que dá ordens prontamente atendidas por seus subordinados, e não permite divergências. Porém, para insatisfação de Marcos Willians Herbas Camacho, o ´Marcola´, Rogério Jeremias de Simone, o ´Gegê do Mangue´ ousou. Conseguiu transferir parte do comando´ da facção para o Ceará, e foi mais longe do que o próprio PCC gostaria.

As articulações no Ceará eram semelhantes às de São Paulo. Já havia líderes estabelecidos, como é o caso do próprio ´Gegê´ e de Fabiano Alves de Souza, o ´Paca´; havia um núcleo de ´laranjas´; empresas que lavavam dinheiro para a facção; e um esquema de tráfico funcionando a todo vapor. Tudo isso, no Estado considerado ponto estratégico para o tráfico de drogas no Brasil.
   
"Essa foi uma das decisões mais ´sangue frio´ que ´Marcola´ tomou. Nenhuma grande ação acontece sem que ele saiba. O ´Gegê´ era o grande amigo dele. A ordem não partiu só dele, mas serve para dar o recado que ninguém tente tomar a facção, que quem dá as ordens é ele", afirmou um policial do Departamento Estadual de Investigação Criminal (Deic) da Polícia Civil de São Paulo.

A ostentação de ´Gegê´ e ´Paca´ no Ceará estava custando caro. Do ano de 2017, quando os criminosos chegaram para morar, até o momento, pelo menos R$ 8,6 milhões foram gastos. Os líderes do PCC começaram a ´investir´ no Estado, em fevereiro do ano passado. Em quatro luxuosos imóveis adquiridos pela facção, foram desembolsados R$ 6,5 milhões.

Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, há um ano, ´Gegê do Mangue´ e ´Paca´ resolveram comprar um imóvel em um condomínio situado na Lagoa do Uruaú, em Beberibe, no Litoral Leste do Estado. A mansão, que tinha campo de futebol, piscina e vários quartos foi reformada por alguns meses, e passou a ser utilizada pelos criminosos em seus momentos de lazer. Até uma banheira de hidromassagem ´Jacuzzi´ foi instalada no imóvel.

A reportagem apurou que, três meses depois, uma mansão no condomínio Alphaville Fortaleza foi adquirida por eles. As casas foram colocadas em nome de ´laranjas´. O imóvel no Alphaville Fortaleza (o primeiro descoberto como sendo de propriedade da dupla), foi adquirido por R$ 2 milhões. O montante foi pago em dez cheques de R$ 200 mil, conforme uma fonte da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Dos dez cheques, nove já foram compensados.

Ainda no primeiro semestre de 2017, mais dinheiro oriundo dos crimes do PCC se espalhou pela Capital, após a compra de mais dois imóveis: um apartamento de 230 m², na Rua Israel Bezerra, no Dionísio Torres, ao lado do Parque do Cocó; e uma casa no condomínio Alphaville Eusébio. Nas duas compras, os criminosos teriam pago R$ 3,3 milhões.

Os bens também não estão no nome de ´Gegê do Mangue´, nem de ´Paca´. Os antigos donos de dois dos imóveis citados já foram presos pela Polícia Federal, em operações de combate à corrupção.

Veículos

A ´vida de rei´ dos integrantes da cúpula da facção ia além das mansões. Nos últimos meses, pelo menos, cinco veículos de luxo foram adquiridos, em Fortaleza, para uso dos criminosos. As duas Range Rover, duas BMW e um Porsche Cayenne foram compradas na revendedora ´Eudes Veículos´.

O comprador dos automóveis forneceu um endereço no Conjunto Ceará, quando foi recebê-los. No entanto, a reportagem foi em busca do local indicado e a rua não existe. No Conjunto Ceará, existem as ruas 109 e 111, porém, não há 110, onde José Fernando da Silva disse que morava.

Eudes Aragão, proprietário da empresa ´Eudes Veículos´, contou, ontem, em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, que nunca chegou a se encontrar pessoalmente com os criminosos. Segundo o empresário, as duas BMW, modelo X6, e as duas Range Rover Evoque foram pagas à vista, totalizando valor aproximado de R$ 2 milhões. O empresário afirma ´Gegê do Mangue´ e ´Paca´ não chegaram a ir até a loja. Segundo ele, todos os negócios foram feitos por um homem de confiança da dupla.

Aragão lembrou que foi procurado pela Polícia Civil e conversou com alguns delegados, para esclarecer como eram feitas as vendas dos carros de luxo. Ainda de acordo com o empresário, "tudo, por parte da empresa, foi feito de forma clara e legal". Ele disse estar colaborando com a investigação realizada pela Draco.

O empresário declarou à reportagem, que foi informado pela Polícia que os dois integrantes do PCC, executados em Aquiraz, estavam no Ceará há, pelo menos, um ano.

"Os carros eram vendidos como para qualquer outra pessoa que chega lá e tem interesse na compra. Eles davam a entrada em dinheiro e quando recebiam o carro ia um rapaz pagar o restante na concessionária. O rapaz dizia que os carros eram para um chefe dele. Era comprado um por vez. Nunca vi esses que foram mortos pessoalmente", disse o empresário.

Lavagem

Uma fonte da SSPDS disse que os criminosos também atuavam em ramos legais, para lavar o dinheiro da facção. "Estamos buscando as pessoas que poderiam estar colaborando com eles na lavagem do dinheiro. Os dois moravam aqui e até as famílias já estavam no Ceará. Passaram batidos, porque eram de fora e ninguém conhecia a cara deles, mas o esquema estava totalmente consolidado", ressaltou o policial.

Diário do Nordeste

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