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Mais uma paciente denuncia médico por estupro na UPA da Imbiribeira
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Direção da unidade situada na Zona Sul afastou o profissional assim que denúncia veio à tona (Foto: Reprodução/ Diário de Pernambuco)

Em 23/02/2018 às 09:50
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A polícia investiga se o médico acusado por duas pacientes de tê-las estuprado dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife, abusou de outras vítimas. O traumatologista, que não teve nome nem idade divulgados, está sendo acusado de violentar uma mulher de 18 anos e outra de 33, durante consultas no centro de saúde. Imagens das câmeras de segurança da UPA já foram solicitadas para comprovar o envolvimento. Ele foi afastado do cargo na manhã desta quinta-feira pela Secretaria Estadual de Saúde. O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco abriu sindicância para apurar o caso. A primeira denúncia foi apresentada na noite dessa quarta. Hoje, após a repercussão do caso, outra paciente procurou a polícia.

A vítima de 18 anos, que fez a primeira denúncia, procurou atendimento no setor de traumatologia da unidade por volta das 9h dessa quarta após sofrer um acidente em casa. O médico solicitou alguns exames e, quando ela retornou para entregá-los, ele praticou o abuso sexual dentro do consultório da UPA. Em depoimento, a jovem contou à polícia que o médico pediu para ela abaixar o short para examiná-la, a apalpou, esfregou o corpo dele contra o dela e ejaculou. Assustada, a paciente deixou a unidade sem dizer nada. Somente às 21h, após ser encorajada pela mãe, procurou o plantão da 1ª Delegacia de Polícia de Prevenção e Repressão aos Crimes Contra a Mulher, no bairro de Santo Amaro, onde foi registrado um boletim de ocorrência por estupro.

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Ainda na noite da quarta-feira, a paciente realizou exame traumatológico e sexológico no Instituto de Medicina Legal (IML). Ela também foi encaminhada ao Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa, que funciona no Hospital Agamenon Magalhães. Lá, recebeu medicações profiláticas contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e gravidez indesejada.

Ainda no fim da manhã dessa quinta, a coordenação da UPA encaminhou nota comunicando o afastamento do profissional e informando que a direção tomará medidas cabíveis, além de se colocar à disposição da polícia para apoiar a apuração do caso. A gestora do Departamento de Polícia da Mulher, delegada Gleide Ângelo, explicou que o suspeito, identificado pela SES, não podia mais ser preso em flagrante. Agora, a investigação busca provas robustas para sustentar o pedido de prisão preventiva à Justiça. “Esse inquérito é rápido. Mas temos que aguardar o resultado da perícia sexológica que sairá em dez dias. As provas técnicas são importantes, mas a palavra da vítima tem valor probatório muito forte”, declarou Gleide Ângelo. A delegada Ana Elisa Sobreira foi nomeada para acompanhar o caso. Na manhã desta quinta, ela foi ouvida novamente porque no primeiro depoimento, prestado ao delegado Jorge Ferreira, ainda estava em estado de choque.

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Após ver a divulgação do caso na imprensa, outra vítima também denunciou o abuso contra o mesmo médico, nesta tarde. Ela contou à polícia que o crime ocorreu há uma semana, no dia 15 de fevereiro, e apresentou o receituário com o nome e o carimbo do médico para provar o atendimento.

DENUNCIE
A secretária da Mulher de Pernambuco, Silvia Cordeiro, lembrou que novas denúncias podem ser feitas através do 0800 281 8187, da Ouvidoria da Mulher. Ela acrescentou que órgão está acompanhando o desfecho da apuração e dará todo o apoio psicológico às vítimas. Segundo Silvia, as pacientes serão atendidas no Centro de Referência à Mulher Vítima de Violência Clarice Lispector. "Esse é um crime que não pode ficar impune. É o crime mais covarde que existe. Independente da profissão do acusado, ele é homem e cometeu um estupro. É preciso que fique bem claro que ele não é um doente. É um agressor que precisa ser punido", ressaltou.

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA
Paralelo ao inquérito policial, o Conselho Regional de Medicina em Pernambuco (Cremepe) determinou a abertura de sindicância interna para apurar o caso. O procedimento é considerado de praxe pela categoria. Encontradas irregularidades, o processo administrativo prossegue. Caso contrário, será arquivado. Por questão de sigilo ético profissional, o Cremepe não divulgou detalhes a respeito do que já havia apurado nem sobre os antecedentes do profissional investigado.

Diário de Pernambuco


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