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Obras investigadas

Jaques Wagner recebeu R$ 82 milhões em propina e caixa 2, diz PF

Em 26/02/2018 às 14:00
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Investigações da PF (Polícia Federal) sobre desvios de recursos envolvendo a reforma da Arena Fonte Nova, em Salvador, usada na Copa do Mundo de 2014, apontam que o ex-governador baiano Jaques Wagner (PT) recebeu R$ 82 milhões em propina e caixa dois (Foto: Reprodução)

Investigações da PF (Polícia Federal) sobre desvios de recursos envolvendo a reforma da Arena Fonte Nova, em Salvador, usada na Copa do Mundo de 2014, apontam que o ex-governador baiano Jaques Wagner (PT) recebeu R$ 82 milhões em propina e caixa dois.

A PF deflagrou, na manhã desta segunda-feira (26), a Operação Cartão Vermelho, que apura irregularidades e superfaturamento na contratação dos serviços de demolição, reconstrução e gestão do estádio. Em valores atualizados, os desvios podem chegar a R$ 450 milhões, de acordo com as investigações.

"Em razão das delações da Odebrecht e de material apreendido na OAS, verificamos que de fato o então governador recebeu uma boa parte do valor desviado no superfaturamento para o pagamento de campanha eleitoral e de propina", disse a delegada da PF Luciana Matutino Caires.

A licitação para a reforma do estádio foi direcionada para favorecer o consórcio FNP (Fonte Nova Participações), composto pelas empreiteiras Odebrecht e OAS, segundo a PF. Irregularidades na arena já haviam sido apontadas no acordo de delação premiada da Odebrecht.

"Grande parte [do dinheiro desviado] era destinada à doação de campanha", disse o superintendente da PF na Bahia, Daniel Justo Madruga.

A residência de Wagner em Salvador foi um dos sete alvos de mandado de busca e apreensão. Segundo as investigações, houve pagamento de propina inclusive na casa da mãe dele, no Rio de Janeiro. Wagner não recebia diretamente a propina, paga em dinheiro, distribuída por intermediários, segundo Caires.

Tido como umas das alternativas do PT caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado pela Justiça, não possa disputar a eleição presidencial este ano, Wagner governou a Bahia entre 2007 e 2014. Segundo a última pesquisa Datafolha, o ex-governador aparecia com 2% das intenções de voto nos cenários sem Lula na disputa.

No governo Lula, Wagner comandou os ministérios do Trabalho e da Secretaria de Relações Institucionais. Ele também foi ministro da Defesa e da Casa Civil do governo Dilma Rousseff (PT) e, desde janeiro do ano passado, é secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia. O Estado é governado pelo sucessor de Wagner, Rui Costa (PT). A secretaria também foi alvo de busca e apreensão.

Na residência de Wagner, foram apreendidos ao menos 15 relógios de luxo que serviriam para ser dados por ele como presente, segundo a PF. O valor dos objetos será calculado após perícia, de acordo com os investigadores.
Pedido de prisão

A PF chegou a pedir a prisão temporária do ex-governador para que ele fosse ouvido pelos investigadores. A medida seria uma alternativa para buscar esclarecimentos junto a Wagner em função de as conduções coercitivas estarem suspensas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por decisão do ministro Gilmar Mendes.

"Entendíamos que, nesse momento, seria importante a condução dos investigados sem que eles depusessem sem possibilidade de combinar nenhum tipo de resposta", avaliou o superintendente.

O TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) negou o pedido de prisão feito pela PF, que não pensa em repetir a solicitação neste momento. Um novo pedido só seria feito caso haja novidades a partir dos documentos apreendidos nesta segunda-feira. Wagner já foi intimado e deverá ser ouvido pela Polícia Federal.

"A operação de hoje busca mais elementos a respeito de tudo que foi levantado. Muita coisa se tem a partir das delações que foram feitas na Operação Lava Jato", apontou Madruga.
PT fala em invasão e perseguição política

No início da manhã, a defesa do ex-governador havia dito que foi surpreendida com a operação. Wagner ainda não se manifestou sobre a operação.

Em nota, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, considerou que o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência de Wagner foi uma "invasão" e uma demonstração de "perseguição política" contra o partido e suas principais lideranças.

"A sociedade brasileira está cada vez mais consciente de que setores do sistema judicial abusam da autoridade para tentar criminalizar o PT e até os advogados que defendem nossas lideranças e denunciam a politização do Judiciário", disse Gleisi.

Já a Odebrecht diz que está "colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua". "Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um acordo de leniência com as autoridades do Brasil, Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Equador, Panamá e Guatemala, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas".

Procuradas, a FNP ainda não se pronunciou. A OAS disse que não irá se manifestar a respeito da operação.

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