Economia e Negócios
Indústria puxa resultado
Ceará cria 1,6 mil empregos em janeiro; melhor saldo desde 2003
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A indústria de transformação do Ceará registrou um saldo positivo de 4.252 empregos formais em janeiro deste ano, de acordo com os dados divulgados pelo Caged nessa sexta-feira (Foto: Reprodução)

Em 03/03/2018 às 06:20
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Após encerrar o mês de dezembro com saldo negativo de vagas (-7.436), a geração de postos de trabalho no Ceará voltou a um patamar positivo no primeiro mês de 2018. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem (2) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o número de admissões foi maior que a quantidade de desligamentos no período, resultado em um saldo positivo de 1.653 vagas de emprego.

O resultado é o melhor para meses de janeiro desde o ano de 2003, quando o saldo de postos de trabalho havia ficado positivo em 151 vagas, sendo ainda o primeiro saldo positivo para o primeiro mês do ano também desde 2003 e coloca o Ceará na 11ª posição em saldo de vagas entre todas as unidades da Federação. O pior janeiro dos últimos anos, de acordo com os dados do Caged, foi registrado no ano passado, quando o saldo havia ficado em -7.436.

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De acordo com o coordenador de Estudos e Análises de Mercado do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita, os primeiros meses do ano costumam ser de saldos negativos, com uma quantidade de vagas menor e as demissões dos empregos temporários. "Naturalmente, os primeiros meses são desfavoráveis, a gente costuma ter um número de vagas menor nesse período. O primeiro trimestre geralmente é de resultados negativos, fruto das demissões de trabalhos temporários gerados para suprir a demanda de fim de ano", explica.

Destaque

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O resultado alavancado pela Indústria de Transformação, que contribui para o dado do Ceará com um saldo positivo de 4.252 vagas, é "surpreendente, sem dúvida alguma", na avaliação de Erle Mesquita. "Vem sendo bastante colocado que a economia está crescendo, mas o que acontece é que o mercado de trabalho demora a reagir", diz, acrescentando ainda que o saldo de vagas positivo no estado do Ceará se deve, sobretudo, à mudança de vínculo em milhares de cooperados em uma indústria calçadista no município de Quixeramobim, no Interior do Ceará.

Na análise do especialista, a formalização do vínculo deve ser vista como bastante positiva. "Eles agora passam a ter garantias mínimas, décimo terceiro salário, uma jornada regulada. Esse vínculo oferece uma melhor condição de trabalho e isso é muito importante em um momento de incerteza na economia e nas relações de trabalho", detalha Erle Mesquita.

Ele frisa, portanto, que o resultado positivo no saldo de empregos da indústria e, consequentemente, do Ceará, "foi muito mais motivado pela mudança de vínculo na indústria localizada em Quixeramobim", e que não se trata de uma retomada mais sólida da economia e do mercado de trabalho.

Ele justifica ainda que, apesar do expressivo saldo observado na cidade do Interior cearense, a Capital, Fortaleza registrou um dos piores resultados entre os 5.560 municípios monitorados pelo Ministério do Trabalho.

Outros setores

Além da Indústria de Transformação, o setor de Serviços também contribuiu para o saldo positivo no mercado de trabalho do Estado, com 579 vagas. A atividade Extrativa Mineral contribuiu com saldo positivo de 32 vagas. Na outra ponta do ranking, impediram um saldo ainda maior de vagas de trabalho as baixas no Comércio (-2.383); Agropecuária (-264); Administração Pública (-263); Construção Civil (-222) e Serviços Industriais de Utilidade Pública (-22).

Segundo dados da pesquisa, a Capital cearense encerrou o primeiro mês deste ano com saldo de -2.056 vagas, fruto de 18.358 admissões e 20.414 demissões (-0,32%). Na avaliação do coordenador de Estudos e Análises de Mercado do IDT, a conjuntura nacional "ainda é muito adversa", com níveis de desemprego que, apesar de terem cedido em algumas cidades do País, segue em patamares elevados.

Ele acrescenta ainda que o desemprego elevado prejudica fortemente a economia. "É prejudicial na medida em que se tem menor marca de salários e ciclos de demissões que ainda estão presentes e que deixam as pessoas receosas quanto ao consumo", diz, destacando ainda a inflação mais baixa em decorrência do consumo impactado pelo desemprego.

Expectativa

Apesar de frisar que o mercado de trabalho é uma das últimas pontas a sentir uma reação da economia, ele pondera que o ano de 2018 conta com alguns diferenciais que podem conferir maior dinamismo ao cenário. "A gente não pode descartar que este ano é eleitoral e deve ter um gasto público mais significativo. Temos também o período de Copa do Mundo se aproximando, então, embora tenhamos todas essas incertezas, esses sinais apontam para um contexto um pouco mais favorável", explica.

Brasil

No País, neste primeiro mês do ano, foram abertas 77.822 vagas de trabalho formal. O resultado decorreu de 1.284.498 admissões e de 1.206.676 desligamentos. Das cinco regiões, três apresentaram saldos positivos no emprego. Entre as regiões, o melhor desempenho foi observado no Sul, que teve acréscimo de 46.754 postos. O Sudeste teve aumento de 21.924 vagas formais e o Centro-Oeste, 20.421. Os desempenhos negativos ficaram por conta do Nordeste (-6.035 postos) e no Norte (-5.242 postos).

A Indústria de Transformação também foi o setor que contribuiu mais fortemente para o saldo de vagas em âmbito nacional, com acréscimo de 49.500 postos, alta de 0,69% sobre o mês anterior. Os Serviços no País tiveram o segundo melhor resultado entre os setores pesquisados, com 46.544 vagas formais, 0,28% a mais do que em dezembro.

Tiveram também aumento de vagas a Agropecuária (15.633 postos de trabalho) a Construção Civil (14.987 postos) e os Serviços Industriais de Utilidade Pública (1.058 postos). Os resultados negativos foram registrados no Comércio (-48.747), Administração Pública (-802) e Extrativa Mineral (-351).

Fonte: Diário do Nordeste


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