Ceará
Pouca água
Situação dos açudes do Sertão Central é crítica
Em 13/03/2018 às 06:40

A barragem do Açude Quixeramobim costumava ser a primeira a sangrar na região; atualmente, encontra-se tão seca que permite a passagem de pessoas e animais (Foto: Reprodução)

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Enquanto o Castanhão registra o seu maior aporte no ano, com volume de 66.928.742,m³, o equivalente a 3,73% da sua capacidade, açudes do Centro do Estado continuam praticamente sem receber água. A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), responsável pelo monitoramento dos reservatórios públicos, aponta 17 deles como secos no Estado. A maioria está concentrada no Sertão Central. O Quixeramobim, na cidade homônima, é um deles. Outros 22 apresentam carga hídrica inferior a 1%, é caso do Banabuiú, terceiro maior do Ceará. Os dados são dessa segunda-feira.

A barragem do Açude e Quixeramobim costumava ser a primeira a sangrar na região, motivo de orgulho para os moradores e atração turística. Nestes últimos seis anos, o espetáculo não é mais visto com a chegada das primeiras chuvas do ano, explicou o operador do sistema do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Quixeramobim, Flávio Delfino da Silva. Além de riachos a barragem recebe a água excedente do Fogareiro, o maior açude do Município, ainda praticamente seco, apenas com 0,24% do seu volume. O Quixeramobim atingiu seu volume morto em outubro de 2016.

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A situação só não é mais crítica porque o governo do Estado instalou uma adutora do açude Pedras Brancas, limites de Banabuiú com Quixadá, com 60km de extensão, até a rede do SAAE. O restante do fornecimento é feito através de poços profundos, atualmente 35 ligados à rede de abastecimento, e carros-pipa, conforme o diretor do órgão, Miguel Fernandes. Também estão sendo realizados rodízios de fornecimento de água para os bairros. O serviço é dividido por quatro zonas. A cada semana, uma delas é atendida.

Moradora da Maravilha, uma área residencial da cidade, a dona de casa Maria Auxiliadora Ribeiro reclama dos transtornos enfrentados nos últimos anos. Apesar da perfuração do poço próximo à sua casa, não há mais água com abundância correndo rio abaixo e muito menos nas torneiras da cozinha e do banheiro. Tomar banho e fazer o asseio pessoal também ficou mais complicado. "A esperança da gente está mesmo é nas chuvas, mas elas desapareceram da noite para o dia", lamentou.
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Sistemas meteorológicos

A respeito da redução das precipitações, o meteorologista Raul Fritz, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) informou estarem relacionadas à diminuição da atuação da Zona de Convergência Intertropical, (ZCIT), à sua capacidade de formar grandes aglomerados de nuvens de chuva. Essa condição ocorre vez por outra, mas é temporária.

O meteorologista acrescentou que a ZCIT continua junto à costa do norte do Nordeste e, logo que as condições atmosféricas se tornarem mais favoráveis, esse sistema meteorológico deverá proporcionar a ocorrência de precipitações mais intensas e mais generalizadas no Estado.

Como o próprio nome do sistema indica, ele é caracterizado, primeiramente, pela convergência, o encontro dos ventos alísios provenientes dos dois hemisférios, norte e sul do planeta. Porém, nem sempre essa convergência provoca o aparecimento de grandes áreas de nuvens muito desenvolvidas, que trazem boas chuvas.

Quando isso acontece, não se formam e nem se veem as nuvens de chuva (nas imagens fornecidas por satélites meteorológicos, por exemplo), mas isso não significa que o sistema tenha se dissipado ou que a convergência de ventos tenha desaparecido. Os demais sistemas meteorológicos, como o Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), podem contribuir ou não, dependendo de sua posição e intensidade, para a ocorrência de chuvas em áreas do Ceará, mas o principal sistema do momento, em que ainda se espera precipitações, é a ZCIT.

Balanço

As chuvas banharam nessa segunda-feira 44 municípios, a maioria na Zona Norte e Sertão dos Inhamuns. Mesmo assim, as mais fortes não chegaram aos 40mm. Foram 38mm em Martinópole, 37mm em Uruburetama, 33 mm em Morrinhos e 30 mm em Ibiapina. No Sertão Central, os registros mais intensos ocorreram em Quixeramobim, com 13mm e Boa Viagem, 9mm.

Essa região tem uma média pluviométrica mais baixa do que o litoral, serras e outras áreas. Características geográficas e meteorológicas contribuem para isso, levando à sua maior aridez, também maior irregularidade das chuvas.

No decorrer de hoje, a previsão é de nebulosidade variável com eventos de chuva em todas as regiões. Amanhã, há possibilidade de chuva no centro-norte e céu parcialmente nublado nas demais áreas do Estado.

Fonte: Diário do Nordeste

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