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Estudo

Zika que chegou ao Brasil veio provavelmente do Haiti, diz Fiocruz

Em 18/08/2018 às 15:00
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Mosquito Aedes Aegypti é alvo de campanha em todo país para combater dengue, chikungunya e zika (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

O vírus da zika, associado a um aumento de nascimentos de crianças com microcefalia no Brasil em 2015, chegou muito provavelmente ao país vindo do Haiti no fim de 2013 e não durante a Copa do Mundo de 2014, segundo um estudo da Fundação Oswaldo Cruz.

"Imigrantes ilegais vindos do Haiti e militares brasileiros em missão de paz naquele país podem ter trazido o vírus da zika para o Brasil", revela a Fiocruz.



Até agora se acreditava que o vírus havia chegado ao país durante a Copa do Mundo de 2014, trazido por turistas africanos, ou durante o campeonato mundial de canoagem no Rio de Janeiro, em agosto do mesmo ano, do qual participaram esportistas de países do Pacífico afetados pelo vírus, recorda a instituição.

Mas o estudo conclui que o vírus não veio diretamente da Polinésia Francesa, onde uma década atrás foram registrados surtos – segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) –, mas migrou dali para a Oceania, seguindo até a Ilha de Páscoa e à América Central e Caribe, chegando ao Brasil no final de 2013.

"Isso coincide com o caminho percorrido pelos vírus dengue e chikungunya", explica Lindomar Pena, um dos pesquisadores, citado pela agência de notícias da fundação.

"Em todos os casos brasileiros estudados, o ancestral em comum dos vírus é uma cepa do Haiti, país sabidamente afetado pela tripla epidemia de zika, dengue e chikungunya", acrescenta.

Introduzido por várias pessoas e não por uma

O estudo também conclui que, ao contrário do que se acreditava, o vírus foi introduzido no Brasil por diversas pessoas sem ligação entre si. Antes se especulava que um único paciente teria trazido a doença que logo se disseminou no país.

A pesquisa foi realizada por Pena, Túlio Campos, Gabriel Wallau e Antonio Rezende, da Fiocruz de Pernambuco, em colaboração com o professor Alain Kohl, da Universidade de Glasgow. As análises se basearam em 4.035 amostras de genomas de três vírus disponíveis em bancos de dados públicos e os resultados foram publicados no "International Journal of Genomics".

O zika foi diagnosticado pela primeira vez no Brasil em maio de 2015, quando se propagava pelo nordeste transformando-se em epidemia. Foi associado ao aumento de casos de microcefalia em recém-nascidos, com quase 3 mil pacientes relatados ao final deste ano.

A OMS declarou emergência mundial pelo vírus em fevereiro de 2016 – às vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio.

O Brasil, que também tinha declarado emergência nacional, pôs fim ao alerta em maio de 2017, ao observar uma queda de cerca de 95% dos casos.

Este ano foram registrados 5.941 casos prováveis do zika no Brasil (41% confirmados), segundo o Ministério da Saúde, uma diminuição de 60,9% em comparação com o mesmo período do ano passado.

O vírus da zika foi identificado pela primeira vez em 1947 em macacos em uma floresta de Uganda, segundo a OMS. Seus sintomas – febre, dor nas articulações, erupções na pele, conjuntivite – são leves e em muitos casos a doença pode passar despercebida, mas adquirir a infecção durante a gravidez pode causar microcefalia e outros problemas congênitos no feto.

Não há uma vacina contra o vírus, nem tratamento específico para a infecção, apenas para os sintomas.

Fonte: AFP

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