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Cineasta foi presa no sábado
Documentarista brasileira sofreu maus-tratos de autoridades da Nicarágua
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A cineasta Emilia Mello é deportada após ser detida enquanto gravava um documentário sobre as manifestações estudantis na Nicarágua (Foto: Arquivo pessoal)

Em 28/08/2018 às 16:40
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A documentarista brasileira Emilia Mello, que foi deportada da Nicarágua após ter sido detida no sábado (25), denunciou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que sofreu “maus-tratos psicológicos” na prisão, segundo informou a entidade.

“A brasileira-estadunidense Emilia Mello relata que sofreu um longo interrogatório e maus-tratos psicológicos por parte das autoridades na Nicarágua. Ela foi deportada ontem à tarde em um voo que saiu para El Salvador. Seguiu para a Cidade do México e hoje irá para Nova York”, afirmou pelo Twitter o secretário-executivo da CIDH, Paulo Abrão.

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Emilia Mello foi detida no sábado passado no município nicaraguense de San Marcos, quando viajava junto com um grupo de estudantes para a cidade colonial de Granada onde participariam de uma manifestação contra o governo.

A documentarista, que gravaria o protesto para um projeto audiovisual, foi detida e levada à prisão El Chipote, sede da Direção de Auxílio Judicial, de acordo com a Coordenadoria Universitária pela Democracia e a Justiça (CUDJ), organização universitária de oposição ao presidente Daniel Ortega que denunciou a prisão.
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Tanto a brasileira como os outros 19 nicaraguenses, entre eles dois documentaristas locais, foram liberados horas depois, da mesma forma que um médico e um advogado. Emilia possui nacionalidade brasileira e americana.

Em sua conta no Twitter, a CUDJ afirmou que os estudantes foram intimidados pelas forças de segurança locais. “O tempo todo estivemos rodeados de agentes fortemente armados que zombavam de nós, tiravam fotos e nos intimidavam”, relatou a organização.

De acordo com a postagem, uma das estudantes presas sofreu um ataque de epilepsia e outra uma crise de asma, mas a polícia não prestou atendimento.

A CIDH exigiu no domingo que o Estado da Nicarágua respeite a liberdade de expressão e o direito ao protesto em meio à crise no país.

Desde abril, milhares de nicaraguenses saíram às ruas para protestar contra Ortega durante uma crise que já deixou entre 322 e 448 mortos, segundo organizações humanitárias internacionais e locais. O governo reconhece 198 mortes e denuncia uma tentativa de golpe de Estado.

No final de julho, a brasileira Raynéia Gabrielle Lima morreu com um tiro em Manágua, capital da Nicarágua. O ex-militar Pierson Gutierrez Solis confessou o assassinato e está sendo processado pela Justiça.

Segundo a versão apresentada pela Promotoria local, ele atirou contra a brasileira porque se sentiu ameaçado por ela e acreditou que “corria perigo”. O relato foi considerado inverossímil pela imprensa.

Raynéia era estudante do sexto ano do curso de Medicina da Universidade Americana (UAM). Inicialmente, o reitor da faculdade havia culpado grupos paramilitares pelo assassinato.

Fonte: Veja


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