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Material histórico

Três mil fósseis encontrados em Itapipoca estavam no Museu Nacional, devastado por incêndio

Em 03/09/2018 às 15:40
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Incêndio no Museu Nacional na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro - 02/09/2018 (Foto: Reprodução)

O fóssil humano mais antigo já encontrado no Brasil, o primeiro dinossauro de grande porte montado no País, uma gigantesca coleção de fósseis e outras 20 milhões de peças foram perdidas no incêndio que se propagou no Museu Nacional do Rio de Janeiro, na noite deste domingo, 2. Para o Ceará, que mantinha materiais históricos da época do século XIX reunidos no museu, a perda histórica e patrimonial também foi irreparável.

Localizado na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, a zona Norte da capital fluminense presenciou os 200 anos de história de um dos acervos mais importantes do país virarem cinzas. O historiador Almir Leal conta que as peças conservadas eram principalmente de antropologia e história natural.

“Tinha material de paleontologia, geologia, antropologia biologia, além de coleções de pássaros, de peixes, mamíferos… Todas constituídas ao longo de duas décadas. Em termos de memória da biodiversidade brasileira, nós perdemos um acervo que nunca pode ser reposto”, detalha. “A base de análise  também é uma grande perda. Todos os setores que continham material de estudo, principalmente os que documentavam a biodiversidade brasileira, foram perdidos no fogo”, conclui.

De acordo com o paleontólogo Celso Ximenes, em entrevista ao jornalista Luiz Viana, na rádio O POVO/CBN, desde o século XIX, materiais descobertos no Ceará eram enviados para o Museu. No século XX, grandes coleções de fósseis foram encontrados no Estado. Em Itapipoca, foram localizados cerca de três mil. "Na época em que os estados não tinham museus, todas as coleções formadas eram enviadas para lá, que era chamado o Museu Imperial", conta.
 
Fósseis de répteis e dinossauros da Chapada do Araripe também estavam no local, bem como um crânio humana encontrado na Serra de Uruburetama e coleções de aves que já estão extintas no Ceará. “Esses materiais eram verdadeiras bibliotecas que serviam como base de referência para muitas pesquisas, como as mudanças climáticas. Também é uma perda imensurável para o Ceará”, explana o também professor.

“O museu passava por constantes perdas financeiras, ouvia reclamações de colegas pesquisadores de lá com relação a falta de verba, manutenção… Essa tragédia é o coroamento do descaso que o País ainda tem com a ciência e a cultura”, lamenta Celso.
 
O paleontólogo relembra outros incêndios em patrimônios do Brasil. Em 2010, o Instituto Butantan foi atingido por um incêndio. O mesmo aconteceu com o Museu de Ciências Naturais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), em 2013. O Museu da Língua Portuguesa, localizado na região central de São Paulo, foi atingido em 2015.

Fonte: O Povo

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