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Rio de Janeiro

Arquiteto da UFRJ diz que processo de escavação no prédio do Museu Nacional pode durar um ano

Em 05/09/2018 às 13:00
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Arquiteto Ricarte acredita que obras de escavação no prédio do Museu Nacional vão durar um ano (Foto: Reprodução/ Terra)

A destruição e as perdas causadas por um incêndio no Museu Nacional ainda não podem ser totalmente contabilizadas, mas segundo o arquiteto Ricarte Linhares Gomes - que trabalha há 38 anos na UFRJ, 20 anos só no museu e atualmente como voluntário no patrimônio - o processo de escavação do prédio incendiado pode durar um ano.

"Isso aqui não termina esse ano. Pode ser que comece na semana que vem e daqui a um ano a gente tenha terminado. Liberar para obras de restauração internamente, isso eu acho que dura mais de um ano. Por dentro, vai demorar até tentar fazer todo o salvamento desse material", explicou Ricarte.

O arquiteto ressalta que uma das dificuldades é a mistura das peças sob os escombros: "Tem meteorito misturado com madeira, escombros. Tem que ter muito cuidado. É um processo poroso é muito delicado", destacou.

A tragédia do Museu Nacional, para muitos, não tem explicação, mas o arquiteto afirma que a única experiência parecida com o que ocorreu foi um terremoto na Itália. Mas para o arquiteto, o incêndio foi ainda pior.

"A perda é do material que não tem reconstrução. Como você vai repor uma múmia? É uma catástrofe, uma perda cultural sem tamanho. Posso até arriscar dizer que em termos de patrimônio é o mesmo, mas lá [no terremoto] não teve coleção atingida. Algumas são insubstituíveis, outras, talvez, consigamos substituir", disse Ricarte.

O terremoto ao qual ele se refere aconteceu em 1997, em Assis, na Itália. O arquiteto viajou para trabalhar durante três meses como voluntário na área de restauração.

"Eu já trabalhava nessa área aqui no Brasil. Deram férias coletivas para a faculdade de engenharia e arquitetura para todas as pessoas poderem trabalhar como voluntárias", disse ele.

Ricarte foi até a Quinta da Boa Vista assim que soube do incêndio, na noite de domingo (2). Por conhecer detalhadamente a estrutura do prédio, ele ajudou a orientar os bombeiros sobre os acessos, rotas de escape, elevadores e caixas d´água no museu.

"Mostrei o que dava pra ser acessado. Fomos até o bloco 4 que ainda não tinha fogo. Nesse bloco tem toda área da geologia, paleontologia, invertebrados", lembrou o arquiteto.

O arquiteto ainda lembra que no dia do incêndio um funcionário chegou a ajudar um bombeiro a arrombar a porta de um laboratório. "Um funcionário da casa junto com a autorização e junto com um bombeiro arrombou um laboratório que estava acessível e não tinha fogo. Eu também ajudei eles a tirarem o material. Tinham coleções de tipos da malacologia", completou.

Com o impacto da tragédia no Museu Nacional, muitos professores da universidade passaram mal. Segundo Ricarte, a própria vice-diretora chegou a desmaiar ao ver o incêndio.

"Vários professores passaram mal Cada um age de uma forma. É aquele momento ´eu não acredito no que estou vendo´. Eu só acreditei no dia seguinte, na segunda de manhã é que a ficha caiu", relembrou o arquiteto.

Terra

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