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Ceará possui cobertura de somente 15% dos municípios para exames de mamografia
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No Ceará, 650 mulheres morreram em decorrência do câncer de mama, em 2016 (Foto: Reprodução/ Tribuna do Ceará)

Em 12/09/2018 às 14:30
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No próximo mês de outubro, mais de 6 milhões de cearenses irão escolher seus candidatos para os cargos da presidência, governador, senadores e deputados. A escolha leva em conta as propostas para problemas relacionados a saúde, educação, segurança entre outras questões. Um deles é o câncer de mama, doença que mais mata mulheres no País.

Somente em 2016, morreram 650 mulheres em decorrência da doença, no Estado, de acordo com o Ministério da Saúde. Os números correspondem a 18 mortes em cada 10 dias. Além disso, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê o diagnóstico de 2.200 novos casos neste anos. De acordo com os especialistas, fazer os exames de mamografia é essencial para o diagnóstico precoce e para aumentar as chances de sobrevivência.

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“O câncer de mama é uma doença letal. A gente tem um cálculo que define mais ou menos que, a cada 1 mm que aumenta o tamanho do câncer, aumenta um 1% o risco da paciente morrer por conta da doença”, alerta o mastologista Francisco Pimentel.

A médica da família e professora de medicina Paola Colares de Borba explica que as mulheres devem ficar atentas para os fatores de risco da doença e para realizar periodicamente o exame de mamografia. “Existem fatores de risco: familiares, hábitos alimentares, estilo de vida, pessoas obesas parecem ter tendência maior de desenvolver. O principal fator para diminuir a mortalidade é a prevenção”, esclarece.

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Além dos exames, o acompanhamento regular com os médicos também é essencial para garantir a cura da doença e a prevenção. O mastologista Leandro Lacerda, do hospital Haroldo Juaçaba, alerta para a importância do paciente comparecer às consultas regularmente durante o tratamento.

De acordo com ele, logo após a primeira modalidade do tratamento, algumas pessoas não voltam. Acham que já estão curadas. “A gente precisa complementar para evitar que o câncer volte. A gente precisa fazer a terapia completa”, destaca.

A importância da mamografia

O exame da mamografia é uma das formas para diagnosticar precocemente a doença. Entretanto, algumas mulheres têm resistência em fazê-lo devido ao desconforto, segundo Francisco Pimentel. Mas ele ressalta a importância para o diagnóstico. “De modo geral, não é agradável, mas salva vidas”, enfatiza.

Aliado ao medo, a distribuição dos equipamentos no Estado para a realização dos exames também dificulta que mulheres façam o exame. O resultado não poderia ser diferente. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, em 2015, o Ceará possui uma cobertura de 15%, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece uma meta de 70%. Tirando a capital cearense, dos 183 municípios cearenses, apenas 19 contam com mamógrafos em policlínicas regionais. Juntas realizaram 17.685 mamografias neste mês de maio.

Em Fortaleza, o quadro é menos preocupante. De acordo com o Conselho Municipal de Controle do Câncer de Mama, 30% a 40% das mulheres não fazem mamografia. O presidente do Conselho, Paulo Vasques, aponta que esse percentual corresponde a 200 mil mulheres entre 50 a 69 anos. “O grande desafio é que a gente consiga rastreamento organizado na cidade para que metade dessas mulheres, 100 mil mulheres, realizem mamografia anualmente. Hoje, essa taxa ainda é baixa”, explica.

Ao todo, há 15 mamógrafos que têm a capacidade de fazer a cobertura na cidade, segundo Paulo Vasques. Entretanto, também enfrentam outros entraves para alcançar a cobertura desejável. “Nesse espectro de mamógrafos de 15 aparelhos, alguns estão em manutenção, outros esperando por peças. Os aparelhos parados geram um prejuízo para a cobertura”, comenta.

Venceram o câncer

Foi por acaso que a educadora social Fabíola Guedes sentiu um nódulo no seio durante o banho há 10 anos. Na época, tinha 28 anos. Mesmo sem histórico na família, fez os exames para diagnosticar o que se tratava. Com a biópsia, veio a confirmação do câncer de mama. A cura foi possível graças ao diagnóstico precoce.

“Saber que tinham pessoas que precisavam de mim… Saber que a gente tá aqui e veio pra fazer alguma coisa… Isso me ajudou muito a superar e a minha família dizer que precisava de mim. Eu não tinha como olhar para dois filhos pequenos e não querer viver. Tudo foi muito por eles, mas também tudo muito por mim. Sempre gostei de viver”, relata a experiência de superação.

O tratamento varia conforme a fase em que se encontra o grau da doença. Há casos que podem ser cirúrgicos. Outros envolvem quimioterapia, radioterapia ou hormonioterapia. A assistente administrativa Cinthia Caldas precisou ser submetida a sessões de quimioterapia. O procedimento foi um grande vilão para ela, mas reconheceu que aquele processo era necessário para a sua cura.

“A quimioterapia foi um grande vilão para mim por conta da vaidade. Caíram meus cabelos, mas eu sabia que tudo aquilo ia passar. Era necessário para que o meu processo de cura fosse completo”, relembra.

Tribuna do Ceará


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