Polícia
Tornozeleira na professora
Professora denunciada por escravidão em Juazeiro sai do presídio, mas com tornozeleira eletrônica
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Professora Cosma foi presa no dia 8 de outubro em sua casa no bairro Pio XII (Foto: Reprodução)

Por Demontier Tenório
Em 22/11/2018 às 00:00
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A professora da rede estadual de ensino, Cosma Severina de Oliveira, de 52 anos, conquistou o regime de prisão domiciliar e deixou o presídio feminino de Juazeiro do Norte na tarde desta quarta-feira. Entretanto, por decisão judicial teve que colocar uma tornozeleira eletrônica no Centro Regional de Tornozelamento da Secretaria de Justiça do Ceará em Juazeiro. Ela e outras duas pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal por crime análogo à escravidão.

A mesma foi presa no dia 8 de outubro na sua casa no bairro Pio XII sob a acusação de manter a venezuelana Yorgelis Carolina Del Valle Quijada Zamara em regime de escravidão tanto na chácara quanto em sua residência. Após fugir do cárcere privado, a vítima recorreu ao Ministério Público quando a Promotora de Justiça, Juliana Mota, passou a investigar o caso. Ela informou que, há três meses, executava serviços sem ter direito à remuneração e até material de higiene era negado.

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Recebia apenas almoço e janta e a complementação alimentar se dava por meio de frutas que colhia na chácara da professora. Disse mais que seus documentos foram retidos e, toda vez que pedia para ir embora, sofria ameaças por parte de Cosma. No dia 5 de novembro de 2018 o Ministério Público Federal denunciou a professora perante a Justiça Federal juntamente com Eugênia Michelly de Oliveira Queiroz e José de Arimateia Alecrin de Figueiredo.

Para o MPF, Yorgelis foi submetida a trabalho em condição análoga à de escravo tanto em Juazeiro quanto em Russas após ser trazida de Boa Vista (RR). O trio foi denunciado por tráfico de pessoas, cárcere privado e escravidão. De acordo com o Procurador da República, Celso Leal, a denunciada Eugência Michelly foi quem intermediou a vinda da vítima para o Ceará, sob a falsa promessa de trabalho e remuneração.

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Investigações apontaram que, desde o início, Yorgelis foi explorada, trabalhando inicialmente por duas semanas em Russas sem carteira assinada e remuneração. Depois, ainda segundo o Ministério Público, foi trazida à Juazeiro para que prosseguisse a exploração do trabalho numa chácara e na casa da professora que manteria vigilância sobre a vítima. A rotina de exploração permaneceu por cerca de três meses, sem Yorgelis nunca ter recebido qualquer contrapartida a título de remuneração em dinheiro.


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