Cariri
Resquícios da tragédia
Comerciante quer reembolso do estado pela TV baleada no confronto em Milagres
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Amigos se reúnem todos os dias ao redor da televisão (Foto: Alana Soares/Agência Miséria)

Por Felipe Azevedo/Agência Miséria
Em 10/12/2018 às 01:55
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Quando a comerciante Cícera Alves abriu o portão do mercantil "Ponto da Economia", no Centro de Milagres na manhã de sexta-feira (7), percebeu que a televisão Toshiba de 42 polegadas tinha uma marca de bala que atravessava a tela, rachando o visor e inutilizando o aparelho.

Ela já estava assustada com que havia acontecido em frente ao estabelecimento que montou há dois anos. Assaltantes e reféns morreram praticamente na sua calçada na rua Esmeralda da Silva, durante confronto com a polícia durante a madrugada.

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Cícera morou em São Paulo por muitos anos, já foi assaltada pelo menos cinco vezes na capital paulista e conta que nunca vivenciou uma "cena de guerra" como aquela. Apesar de não estar trabalhando no momento da ação policial, viu vestígios da tragédia nas primeiras horas da manhã, ao chegar no mercantil.

"Uma amiga que mora por aqui no Centro me disse que ouvia uma mulher gritando, que não atirassem e que mesmo assim os sons de armas disparando eram altos, sem parar", contou a comerciante.

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Na Copa do Mundo de 2018, Cícera juntou algum dinheiro e, na mesma rua onde trabalha, foi até a loja e eletrodomésticos Macavi e comprou à vista R$ 1.500 a televisão de LED.

Amigo de Cícera mostra marca da bala; a comerciante preferiu não ser fotografada (Foto: Alana Soares/Agência Miséria)


Ela e os amigos assistiram todos os jogos do torneio ali mesmo na calçada, onde costumam ficar até às 21 horas. "Aqui é tranquilo, não tem assalto". Ela diz que volta pra casa se bicicleta todas as noites e nunca se sentiu insegura.

Apesar de lamentar as mortes e a tragédia com a qual a cidade terá de lidar por muitos anos, Cícera diz também estar descontente por ter perdido a televisão. Ainda pensou em comprar uma peça nova e trocar apenas o visor danificado, mas os amigos a convenceram de que não valeria o dinheiro gasto.

Como última esperança, vai nesta segunda (10) até a delegacia de polícia registrar Boletim de Ocorrência. Quer que o estado pague pela televisão porque acredita que as balas partiram dos policiais. Este, inclusive, é um posicionamento comum entre os moradores.

Enquanto não há reembolso, ela deixou o aparelho no mesmo lugar, pendurado bem na entrada do pequeno mercado como uma lembrança do que aconteceu. Ao redor da tela, o assunto ainda é o mesmo, e o medo parece ainda pairar na pequena cidade.


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