Economia e Negócios
Levantamento da CervBrasil
Consumo de cerveja fora do lar no Ceará supera em 26% média nacional
Em 25/02/2019 às 00:30

Consumo de cerveja no Estado é 26% maior que a média nacional (Foto: Reprodução)

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A cervejinha do cearense é consumida mais fora de casa. Aliás, o consumo no Estado é 26% maior que a média nacional. É o que aponta levantamento da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil). "É uma característica nossa, do povo do Ceará, de estar na calçada. Não gostamos de ficar enclausurados. A nossa brisa nos convida a estar fora do lar", diz Moraes Neto, vice-presidente do Sindicato de Restaurantes, Bares, Barracas de praia, Buffets e Similares do Estado de Ceará (Sindirest).

Para incentivar o consumo, os cardápios de bares e restaurantes estão cada vez mais sortidos. Segundo a Associação, são 7,5 mil rótulos disponíveis ao mercado brasileiro. Entre registros de produtos novos, conforme o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foram concedidos mais de 6 mil, entre cerveja e chope, apenas no último ano.

No quesito produção, o País ganhou 210 fábricas, totalizando 889 em 2018, com Rio Grande do Sul despontando entre os estados com a maior quantidade de indústrias (186). Em geral, o segmento estima crescimento de até 5% neste ano.

"Os anos de 2016 e 2017 foram difíceis. O País tem uma das maiores cargas tributárias do mundo sobre bebidas. Apesar disso, as cervejarias mantiveram investimentos e têm colhido resultados. Foi muito importante o investimento naquele momento, porque agora o comércio tem uma reação, que pode ser tímida, mas é comemorada, pois é sinal de crescimento", informa o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).

Mercado local

O Ceará também apresentou crescimento em 2018 e espera nova alta em 2019, embora ainda engatinhe no setor. Ano passado, por exemplo, saiu de sete para 10 cervejarias. "O Ceará corresponde a cerca de 2% das vendas nacionais de cerveja. O Estado registrou um crescimento baixo em 2018, na casa de 0,5%. Não temos estimativas para 2019 ainda, mas deve apresentar melhoras, em linha com o crescimento do setor em todo o Brasil", pontua Paulo Petroni, diretor executivo da CervBrasil.

Nesse cenário, aumenta também a produção artesanal no Estado. "Neste ano, a gente já está percebendo um aumento no consumo da cerveja artesanal comparado a igual período do ano passado. O ano de 2017 foi bom. Em 2018, houve uma redução de consumo, a gente identificou entre 15% e 20% de queda ao longo do ano", aponta Francisco Abaeté, presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva).

Ele argumenta que, neste início de 2019, o setor já observa uma recuperação do consumo para níveis de 2017. "Estamos animados com essa tendência do setor e a gente acredita que, durante o ano, vai crescer mais ainda", destaca.

Na Capital, é possível encontrar atualmente oito marcas tipicamente cearenses, produzidas em fábricas próprias, combinadas com um pub, ou feitas de forma cigana (quando utiliza a indústria de terceiros). Em março, um novo espaço com receita própria será inaugurado em Fortaleza - após três anos de planejamento, dos quais um inteiramente dedicado a erguer o prédio do zero. Falta apenas definir a data de inauguração. "Ficamos apreensivos por não conseguir dar uma data específica, pois estamos esperando algumas licenças chegarem. A gente fica angustiado, sem saber quando vai abrir, mas desistir, nunca", comenta Carolina Starrett, diretora de comunicação da Abracerva e sócia do BrewStone.

Os investimentos para fabricar variam entre R$ 200 mil e R$ 300 mil iniciais, em média. Envolvendo um restaurante combinado o gasto é maior, partindo de R$ 300 mil a R$ 600 mil, dependendo do porte da estrutura. O gasto é menos se for uma marca cigana.

"A partir de R$ 5 mil, já se consegue um lote com um bom número de cervejas. Você pode testar no mercado, fazer uma experiência. Pode ser por um a três anos, mas chega um momento que, pelo volume vendido mensal, compensa produzir na própria fábrica, que isso dilui o custo também", detalha Abaeté.

Apesar do retorno do investimento demorar em média cinco anos e haver outras barreiras, Abaeté assegura: "é um mercado fascinante".

Fonte: Diário do Nordeste

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