Política
Entenda o caso
Lideranças criticam voto de Vereadoras sobre Maria da Penha nas escolas; "Também fui vítima", parlamentar rebate
Por:
Repórter João Boaventura Neto
Em 13/03/2019 às 18:05

Desinformação e críticas: Vereadora Auricélia Bezerra justifica voto "não houve tempo hábil" (Foto: Josimar Segundo)

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Juazeiro do Norte. O voto contrário de três vereadoras ao requerimento que pedia fiscalização do Ministério Público sobre implementação da Lei municipal que aplica estudos sobre a Lei Maria da Penha nas escolas gerou repercussões negativas entre lideranças femininas e o movimento de mulheres em toda a região do Cariri.

Por 10 votos a 5, com uma abstenção, o requerimento do vereador Zé Barreto (PPS) foi derrubado.  Das cinco parlamentares da Casa, três - Auricélia Bezerra (PDT), Rosane Macedo (PPS) e Aninha Teles (PDT) - votaram contra.

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Vereadores justificam voto contrário por não ter havido tempo suficiente para implementação. A Lei Municipal foi sancionada em novembro de 2018 e oficialmente encaminhada para a Secretaria de Educação em janeiro deste ano, ao final do período letivo.

Mesmo com o requerimento sendo caracterizado pelos colegas parlamentares como "inconsistente" e "apressado", lideranças feministas alegam que o voto contrário mais atrapalha a implementação do que ajuda.
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CRÍTICAS

Para radialista Célia Rodrigues, do Conselho de Defesa dos Direitos da Mulher Juazeirense, a omissão dos vereadores, e em especial das vereadoras mulheres, foi vergonhosa.

"As vereadoras se recusaram a pedir fiscalização de uma lei que é para a segurança da vida das mulheres. São muitos pontos de interrogação: por que a lei ainda não está em prática? Por que as vereadoras não acompanharam nossas expectativas?", Célia questiona.

Já a Presidente da Comissão da Mulher Advogada Derineide Barboza é mais enfática: "A violência doméstica e familiar contra a mulher é um problema de toda sociedade e não só das mulheres", disse ao Miséria.

"A educação é fundamental da luta contra a violência doméstica e familiar contra a mulher, ficamos entristecidas quando nessa caminhada de luta há pessoas e mulheres que não se engajadas na luta, quando na nossa região os números de feminicídios e outros crimes violentos são registrados", completou.

Nos bastidores, a Frente de Mulheres do Cariri afirmou procurar a Defensoria Pública para saber da legalidade da ação e organiza manifestação na sessão desta quinta-feira, 14.

JUSTIFICATIVA

"Eu jamais votaria contra as mulheres. Votei contra o requerimento, não contra as mulheres", afirmou a vereadora Auricélia Bezerra (PDT), que procurou os veículos de comunicação para justificar o voto. A parlamentar pediu desculpas pelo "mal entendido" e alegou que as redes sociais causaram desinformação.

"Eu também fui vítima de agressões por anos (...) Se tem uma vereadora que defende as mulheres é a vereadora Auricélia", acrescentou, lembrando que iniciou articulação para futura instalação de Casa Abrigo no município.

Para a parlamentar Auricélia, não houve tempo suficiente para o município implementar a Lei. Encaminhar um requerimento ao Ministério Público agora seria "inconsistente".

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