Ceará
Sem estrutura
Mercados públicos do interior resistem à modernidade
Em 15/04/2019 às 02:50

Em Iguatu, no Centro de Abastecimento, a infraestrutura do local é precária (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

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Apesar da multiplicação dos supermercados nas cidades do interior do Ceará, os mercados públicos continuam resistindo aos efeitos da modernidade. Mesmo com pouca atenção do Poder Público, ainda atraem os fregueses mais tradicionais. A preferência se completa no momento da pechincha, olho no olho, de levar três pelo preço de dois.

Erguidos pelas prefeituras para atender ao costume popular e gerarem empregos, a maioria dos prédios apresenta péssima conservação, motivo que afasta os clientes. O casal Luciana Ferreira e Vauíres Saldanha é exemplo dessa resistência. Ele herdou da mãe o comércio de frutas e verduras, também o box no Mercado da Carne, em Quixeramobim. "O segredo para cativar a freguesia está no sorriso. Sempre voltam. Pelo menos quem sabe o valor de um bom atendimento", revela Luciana, que confessa haver dificuldade para atrair mais clientes: "o velho mercado precisa se modernizar".

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Inaugurado em agosto de 1985, o Mercado da Fruta e da Carne de Quixeramobim era orgulho do desenvolvimento da cidade. Hoje, conhecido como Mercado da Roupa, acomoda mais de 200 pequenos negócios, incluindo artesanatos, confecções, calçados e lanchonetes. Ambos receberão reformas e adaptações, avisa o secretário municipal de Infraestrutura, Ravy Ferreira.

Essa também é a estratégia planejada pelo secretário municipal de Administração de Bens e Serviços Públicos, Higo Carlos Cavalcante, para a revitalização do Mercado Central de Quixadá. Há necessidade de o complexo comercial ser restaurado, o que não é feito desde a sua construção, na década de 1960, exceto sua ampliação, no Governo Gonzaga Mota. Todavia, os recursos captados pelos inquilinos, em média R$ 70 por box, não são suficientes para bancar a modernização. A Prefeitura de Quixadá pretende investir R$ 50 mil no projeto.
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Com 80 boxes, a metade utilizada para o comércio de carnes, o prédio apresenta problemas por todos os lados. Os permissionários reclamam das dificuldades financeiras até para pagarem as contas básicas, como luz e água. Para a maioria, esse é o único meio de sustentar a família. Como os fregueses praticamente não vêm mais, alguns levam suas bancas para a rua.

Centro-Sul

Em Iguatu, o Centro de Abastecimento, como é conhecido o mercado da cidade, construído há 43 anos, está saturado e necessita de mais espaço. As condições de trabalho são precárias. O prédio não foi ampliado e passou apenas por pequenas reformas. No entorno do imóvel, foram improvisadas dezenas de barracas com venda de frutas, verduras, grãos, refeição e outros produtos. Mesmo assim, é muito procurado pela população.

Há pouco mais de um ano, a Prefeitura construiu o Centro de Feirantes de Iguatu, mas ainda permanece sem ocupação total dos 60 boxes. Falta ligação de energia elétrica e de água. O projeto original não previa cobertura do imóvel e os feirantes reclamam do sol, calor e chuva. "Foi feito o anúncio de construção de um novo mercado, mas até agora o projeto ainda não saiu do papel", lamenta o vendedor Paulo Batista.

O secretário de Infraestrutura de Iguatu, Jocélio Viana, disse que o Centro de Feirantes em breve será regularizado e os boxes irão funcionar regularmente. O município ainda pretende viabilizar um projeto para a cobertura do espaço da região.

Cariri

Desde 2009, os mercados públicos municipais de Juazeiro do Norte estavam sob administração de uma empresa privada. Através da Justiça, o contrato foi rompido em 2014 e a Prefeitura voltou a geri-los. Os três principais, Governador Gonzaga Mota (Mercado do Pirajá), José Teófilo Machado (Mercado Senhora Santana) e o Central, devem ser reestruturados. Apesar de estarem limpos e receberem manutenção, a estrutura é antiga, apresenta fiação solta, rachaduras e pouca acessibilidade.

O primeiro a ser reformado será o Mercado José Teófilo Machado, o popular Mercado Senhora Santana, no Centro. Segundo a Prefeitura, o projeto de reestruturação deve ser concluído até o fim deste semestre. A Secretaria de Meio Ambiente e Serviços Públicos (Semasp) deve discutir com os 500 permissionários o planos de modificações. O investimento gira em torno de R$ 4,5 milhões e é fruto de verba federal. A expectativa é que as obras aconteçam por etapas.

O equipamento passou por reforma quando ainda era gerido pela empresa SR Empreendimentos, em 2010, mas foi paralisado em 2014. A ideia era fazer um estacionamento na parte superior e construir um local adequado, com climatização, para os feirantes. As barracas foram removidas e, desde então, ocupam as ruas ao redor do Mercado. Por isso, o novo projeto, encabeçado pelo município, tem causado desconfiança.

Um comerciante, que não quis se identificar, diz que este projeto é debatido há cinco anos. "Já passou engenheiro, arquiteto e nada do projeto sair", afirmou. Por causa da obra inacabada, ele conta que todos os comerciantes perderam clientes. Outros, que vendiam no local onde está erguido o estacionamento, desistiram de trabalhar no comércio de frutas e verduras por falta de espaço.

Já o Mercado do Pirajá, maior fornecedor de hortifrutigranjeiros do Cariri, prestes a completar 30 anos, foi um importante impulsionador do processo de urbanização de Juazeiro do Norte para além do Centro. Lá, funcionam barracas de frutas, legumes e verduras, lojas de roupas, de artigos infantis, joias e farmácias. Em 2013, o equipamento passou por um reordenamento para diminuir o comércio externo. Cerca de 1.200 permissionários trabalham ali.

Um deles é Francisco Felizardo da Silva, o Panta do Mercado, que trabalha desde a inauguração. Hoje, ele acredita que a estrutura está melhor, mais limpa. "Está tudo organizado. É todo coberto. Em tempo de chuva, enchia de lama", explica. No entanto, ele admite que nos últimos anos as vendas diminuíram. "Na semana, vai levando devagarinho, mas no sábado e domingo, o movimento de gente aqui é grande", explica.

Já o Mercado Central, ponto de atração de romeiros, tem sido visitado pelo poder público municipal. Uma das propostas é a criação de uma praça de alimentação, além da abertura de uma via de acesso.

No Crato, o Mercado Wilson Diniz, no Centro, deve ser reformado. Em 2017, parte dele foi demolido, os permissionários foram retirados e levados ao Mercado Walter Peixoto. A energia elétrica também foi desligada. "Estava um perigo imenso", conta o secretário de Infraestrutura José Muniz. A Pasta está concluindo o estudo para sua reforma. Até agora, foi feito o projeto arquitetônico. O valor estimado é R$ 8 milhões.

Fonte: Diário do Nordeste

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