Cariri
Interior do Ceará
Fósseis milenares são vendidos ilegalmente na Região do Cariri por até R$ 20
Por:
Repórter João Boaventura Neto
Em 18/07/2019 às 06:10

Fósseis milenares são vendidos ilegalmente no interior do Ceará por até R$ 20 (Foto: Reprodução/Antônio Rodrigues/Sistema Verdes Mares)

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A compra e venda de fósseis é proibida no Brasil, mas é praticada livremente em municípios do interior do Ceará. Em localidades dos municípios de Nova Olinda e Santana do Cariri acontece o tráfico de peças de milhões de anos, que podem ser adquiridas por até R$ 20.

Em uma das minas de exploração é possível comprar um fóssil de Dastilbe crandalli, peixe de água doce que viveu de 96 a 113 milhões de anos atrás, por apenas R$ 20.

Em Santana do Cariri, um homem foi flagrado mostrando em seu piso o que seria um osso de dinossauro. Na CE-166, que liga Santana do Cariri a Nova Olinda, há várias minas de exploração de calcário laminado.

A Bacia do Araripe se tornou um dos principais alvos do tráfico de fósseis no mundo, por causa da preservação do material. “Houve coincidências geológicas e ambientais que preservaram os fósseis, mantendo as partes moles, mais delicadas, como músculo, pele, conteúdo estomacal, parasitos”, explica Álamo Feitosa, coordenador do Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri.

No local, podem ser encontrados diversas espécies de insetos, moluscos, grupos de plantas, peixes, anfíbios, tartarugas, lagartos, dinossauros, pterossauros, crocodilos, aves e pequenos mamíferos.

Fósseis milenares são vendidos ilegalmente no interior do Ceará por até R$ 20 (Foto: Reprodução/Antônio Rodrigues/Sistema Verdes Mares)


De acordo com o paleontólogo, em entrevista a uma equipe do G1/Ceará, o transporte destas peças para o exterior é antigo. Em 1800 já há registros feitos pelo naturalista João da Silva Feijó, que esteve no Cariri a mando da Coroa Portuguesa para relatar a singularidade dos fósseis.

À época, enviou duas coleções ao rei de Portugal. Só a partir do último século, na década de 1940, que o material coletado começou a ser depositado no antigo DNPM. Porém, nos anos de 1960, Santana do Cariri tinha feiras livres de fósseis vendidos nas calçadas e praças, e enviados para São Paulo.

Apesar de ter sido mais comum nas décadas de 1980 e 1990, o tráfico de fósseis ainda acontece na região. De 2012 a 2017, a Delegacia Federal de Juazeiro do Norte apreendeu 111 fósseis, prendeu/indiciou 19 pessoas e abriu 13 inquéritos.

Em outubro de 2013, a Polícia Militar deteve um caminhão carregado com 27 peças em Pedreira (SP). O veículo teria sido carregado em Nova Olinda e aguardava o destino final. Antes disso, o motorista confessou aos agentes de segurança que já havia feito outras entregas do tipo, mas com destino a Curvelo (MG).

No Brasil, fósseis são propriedades da União, enquanto a extração depende de autorização da Agência Nacional de Mineração.

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