Ceará
Abusos sexuais de pacientes
Defesa de prefeito afastado de Uruburetama aposta na prescrição de crimes
Por Agência Miséria
Em 18/07/2019 às 06:00

Fachada da Prefeitura de Uruburetama: abusos sexuais cometidos pelo chefe do executivo ganharam repercussão nacional (Foto: Reprodução)

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O paradeiro de José Hilson Paiva é desconhecido. Em Uruburetama, cidade onde mora e é prefeito e médico, agora afastado das duas funções, ele não tem sido visto desde que vídeos em que aparece abusando sexualmente de pacientes em consultas ginecológicas tomaram o noticiário local e nacional. Em sua residência, no Centro do município, uma mulher que, sem sair do imóvel, afirmou não saber para onde o médico e a família foram e nem quando retornam. Um dos advogados informou que Hilson irá se pronunciar somente após a defesa ter acesso aos vídeos com as cenas dos abusos.

"A gente precisa ver a tipicidade. A gente pediu acesso a todos os vídeos, que não tivemos acesso ainda. A gente precisa ver a tipificação que teria cada um deles", explicou Francisco Pinheiro Neto, um dos advogados que representa o médico.

Pinheiro adianta que a linha de defesa vai pela prescrição dos crimes, uma vez que os vídeos, ainda que vistos parcialmente, indicam serem "antigos". "Você comparar o prefeito hoje com os vídeos, você observa que tem pelos uns dez anos, oito anos. Então é fácil observar o instituto da prescrição punitiva. Encerrou-se ali o prazo que elas (vítimas) teriam para arguir alguma punibilidade para com o prefeito", explica o advogado, que não questionou a autenticidade ou autoria dos vídeos.

O advogado também atribui interesses políticos ligados à divulgação do material. Sobre o afastamento de Hilson da prefeitura, Pinheiro afirma que o processo não seguiu o rito adequado, e que irá recorrer da decisão.

Na cidade, a cerca de 110 quilômetros da Capital, o clima nesta quarta-feira, 17, era de indignação e vergonha diante do escândalo nacional.

Segundo a delegada Rogéria Neusa, há dois inquéritos abertos, um com denúncias de 2018 e o mais recente, instaurado após matéria veiculada pela TV Globo.

Sobre a prescrição dos crimes, a delegada afirma que, ainda que isso seja possível, o fundamental, neste momento, é que as vítimas compareçam à delegacia para formalizar a denúncia.

"Independentemente, do caso, se é antigo ou não, é importante que elas venham procurar a delegacia. Eu aproveito sempre para falar que elas confiem no nosso trabalho, que elas possam nos procurar, porque quanto mais pessoas nos procurarem, mais força nós teremos para embasar as declarações de testemunhas que já vieram aqui pra delegacia", frisa a delegada.

Questionado sobre a morosidade das investigações, uma delas iniciada em março do ano passado, o promotor de Justiça e coordenador em exercício do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), Francisco Câmara, explica que inquéritos possuem especificidades e aqueles que necessitam de diligências para embasar a denúncia costumam ser mais lentos.

Fonte: O Povo

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