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Ex-presidente

"Que se faça intervenção onde é preciso: no aparelho policial", diz FHC

Em 02/03/2018 às 15:45
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Ex-presidente ainda avaliou que o "espetáculo que foi montado pode até acalmar, em certos momentos, a ansiedade da população, mas a ação tem de ser continuada" (Foto: Reprodução)

Em entrevista à rádio CBN, nesta sexta-feira (2), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que as medidas adotadas na segurança pública precisam ser "de longo prazo, continuadas, de planejamento e de inteligência" para, de fato, surtirem efeito.

Ao se referir à intervenção no Rio, ele fez questão de dizer que trata-se de uma decisão "mais profunda". "É importante dizer que já existia em operação, no Rio, aquilo que se chama de medida para garantir a lei e a ordem, a GLO. Agora houve um outro ato, esse outro ato é a intervenção. Essa intervenção não supõe a mesma coisa que a GLO, a GLO é situação de emergência, a Constituição autoriza, se for pedido, e o presidente autoriza as Forças Armadas a agirem e garantirem a lei e a ordem. A intervenção é algo diferente e mais profundo, paralisa as decisões no Congresso e permite que o governo federal interfira no curso da administração do Estado. Podia até mesmo ter afastado o governador", explicou.

Para ele, o melhor caminho, no momento, é reestruturar a segurança no Estado. "Isso implicará alguns comandos das polícias Civil e Militar, porque a função rotineira de combate ao narcotráfico é da polícia, claro que há um grande reforço das tropas federais, mas a modificação da situação prevalecente no Estado é fundamental. E ao que se diz há uma questão de corrupção também, o narcotráfico parece que tem acesso a algumas áreas da polícia, há vazamentos de informações. Ora, isso tudo vai ter que ser mexido, e isso vai levar tempo. Isso não se resolve do dia para a noite", avaliou.

Ele fez questão de destacar a importância de manter as ações. "O espetáculo que foi montado pode até acalmar, em certos momentos, a ansiedade da população, mas a ação tem de ser uma ação de longo prazo, continuada, de planejamento e de inteligência. Quem é o ladrão, para onde vai o dinheiro, quem é a ´mula´, quem está por trás de tudo isso, se é que tem alguém? Isso leva tempo", salientou. Que se faça uma intervenção onde tem de ser feito: no aparelho policial repressivo do cotidiano".

O ex-presidente, no entanto, voltou a criticar o uso abusivo das Forças Armadas. "É preciso evitar essa utilização abusiva das Forças Armadas. Em benefício de quem? Das próprias Forças Armadas, e para evitar que a população pense que com isso se resolve tudo, que não se resolve", afirmou. "O que significa isso? É uma espécie de declaração de incompetência do setor civil de tomar conta das coisas. Porque não devia ser necessário tudo isso. É claro que hoje, ao colocar um ministro da Defesa militar, não temos mais a preocupação que houve no passado com o regime autoritário, mas a utilização abusiva dos militares não é boa. Significa que os políticos e os civis não estão sendo capazes de resolver essas questões. Então, apelam para o papai maior", completou.

Fernando Henrique também disse acreditar que o tema será importante no debate dos candidatos na próxima eleição. "Porque a insegurança chegou à população. Os ricos se defendem, têm carro blindado, têm segurança em casa, têm escolta, têm tudo isso. Mas o povo não, está sujeito às consequências da violência e da desordem, mesmo não estando participando de nada. O povo está sujeito a uma bala perdida", pontuou.

Em seguinte, ressaltou que o assunto não pode virar demagogia. "Agora o assunto não pode virar demagogia. Isso é um tema real e que os candidatos a governar o Brasil vão ter de se pronunciar e dizer o que eles pensam sobre ele, sob pena de que, se isso não houver, os mais violentos, que apenas gritam: ´ah, eu mato, eu esfolo´, ganhem algum espaço. É um perigo. E tem outra coisa, tem a lei. Não pode por causa disso incentivar a violência contra as pessoas".

Sobre a escolha do nome de Alckmin para ser o candidato do PSDB na briga pelo Planalto, o ex-presidente disse que nunca questionou a competência do tucano. "Se eu questionasse eu não o teria ajudado a ser eleito presidente do PSDB. Eu o ajudei a ser presidente do PSDB com vistas a ele ser candidato à Presidência da República. Com chance de vitória", sublinhou. "Eu acho que o Alckmin tem chance de vitória sim. Por quê? Porque um tema importante na campanha vai ser o equilíbrio na vida social. São Paulo, comparativamente com outros Estados, está mais em ordem, as polícias estão mais em ordem, as finanças públicas não são um caos. E tem uma outra característica que eu peso no governo do Alckmin: ele é um homem simples, não é uma pessoa de pompa, e ele sabe falar diretamente quando está na televisão e pessoalmente. Eu acho que esses são valores que podem ser transformados, na briga política, em algo muito positivo para o voto.

 

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