Ceará
Rio São Francisco
Rompimento no canal não afeta cronograma da Transposição
Compartilhar

Máquinas e homens trabalham dia e noite para concluir o reparo no canal (Foto: CEQ Integração)

Em 14/08/2018 às 07:00
Publicidade

Na tarde do último sábado (11), um rompimento no canal do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), entre os municípios pernambucanos de Terra Nova e Salgueiro, surpreendeu a população cearense que aguarda, há um bom tempo, a chegada das águas do "Velho Chico" ao seu território. A falha ocorreu por volta das 12h em um trecho próximo ao distrito de Pau Ferro, causando desvio do fluxo de água. No entanto, segundo o Ministério da Integração Nacional, isso não afetará o cronograma da obra, que deve ficar pronta até o fim deste ano.

Desde o início da ocorrência, 140 técnicos estão no local trabalhando em regime de 24 horas para recuperação da estrutura. Após novas análises, as equipes do Ministério da Integração constataram que o dano causado ao trecho foi maior que o inicialmente previsto; por isso, a restauração, que duraria até 48 horas, deve ficar pronta só no fim desta semana.

Publicidade


Intervenção humana

Um laudo técnico está sendo elaborado, mas, as principais evidências mostram que a falha aconteceu por algum tipo de intervenção humana - não está descartada ação criminosa. Em um vídeo que circulou nas redes sociais no último domingo (12), aparecem duas pessoas conversando momentos após o canal romper. Antes disso, no sábado de manhã, o trecho foi supervisionado e não havia sido constatado nenhuma falha na estrutura canal. A assessoria do Ministério da Integração acrescentou que os trechos da obra possuem monitoramento permanente, mas com 470 km de extensão é difícil fiscalizar em sua totalidade a todo momento.

Publicidade


Em nota, o Ministério da Integração Nacional diz que um boletim de ocorrência foi registrado pois, preliminarmente, "há evidências que tenha sido um ato criminoso". Além disso, o órgão conta que há relato de pessoas no entorno afirmando que a ação tinha como objetivo desviar o curso d´água para encher um reservatório nas imediações. Paralelamente à ação, equipes foram designadas para avaliar se o episódio causou algum impacto na região; mas, nas proximidades não há moradores.

O ex-secretário de Recursos Hídricos do Governo do Estado, engenheiro e empresário, Hypérides Macedo, acredita que esse tipo de incidente é comum, principalmente, em épocas de seca, pois os moradores procuram furar a estrutura com o objetivo de conseguir garantir água para a irrigação ou dessedentação animal. "Se fosse uma parede de concreto, o vazamento só seria no buraco. Não tem parede porque é revestido com concreto na terra. Se fura para tirar água, cria uma bomba de erosão que destrói o canal", explica.

Ele acredita que é muito difícil que isso tenha sido causado por algum erro de execução, pois o canal já estava funcionando há um bom tempo e tinha sido testado. "A velocidade da água é lenta. Não vejo possibilidade. Só com uma chuva grande, que causasse algum deslizamento", acrescentou. Além disso, Hypérides explica que, além de todo o solo ser compactado com o revestimento colocado, há uma manta impermeável para que a água não vaze para o aterro. "A água tem muita capacidade erosiva. Acredito que houve uma intervenção do homem por uma razão muito simples: na seca, ele quer água para o rebanho, para irrigar. O local foi considerado uma região de seca extrema" completa.

O também engenheiro Emanuel Carvalho acredita que, pelos vídeos, não dá para precisar se houve uma falha de execução e que tipo de falha seria. Além disso, ele descarta que o possível tempo de paralisação nas obras pode ter prejudicado o funcionamento da estrutura. "A água é perigosa. Qualquer pequeno vazamento pode levar a um desastre de grandes proporções".

O rompimento no canal desse sábado é semelhante ao que aconteceu no dia 10 de junho do ano passado, entre os municípios pernambucanos de Custódia e Sertânia, no Eixo Leste do PISF. Na época, a falha diminuiu a vazão de água destinada ao Estado da Paraíba. Lá, as cercas foram quebradas. Algumas estradas ficaram alagadas, mas não houve vítimas. Já em 2018, no dia 2 de fevereiro, as placas de concreto da segunda estação de bombeamento, em Cabrobró, também em Pernambuco, se romperam logo após seu acionamento pelo presidente Michel Temer.

Andamento

No último dia 3 de agosto, o presidente da República, Michel Temer, e o ministro da Integração Nacional, Pádua Andrade, estiveram em Salgueiro para inaugurar a terceira e última estação de bombeamento (EBI-3) do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). A estrutura é responsável por bombear o Rio São Francisco a 90 metros de altura - o equivalente a um edifício de 30 andares.

Esta era a última etapa de maior complexidade do primeiro trecho (1N) do Eixo Norte. Com seu acionamento, a previsão é que a água já chegue ao túnel Milagres, em Penaforte, no Ceará, em setembro deste ano. De lá, seguirá para atender também a população da Paraíba e do Rio Grande do Norte. A expectativa é abastecer 7,1 milhões de habitantes em 223 cidades nesses estados.

Organizado em três metas (1N, 2N e 3N) ao longo de 260 quilômetros de extensão, o Eixo Norte está com 96% das obras finalizadas. Hoje, a etapa 1N, que possui 140 quilômetros, está com 1.800 trabalhadores, alguns atuando em frentes de serviço com turnos 24 horas.

Além das três estações, o eixo completo possui 15 reservatórios, oito aquedutos e três túneis. Nesta etapa, a água do "Velho Chico" já abastece 9,2 mil moradores em Terra Nova (PE) e beneficia 3,2 mil agricultores em Cabrobró (PE).

Fonte: Diário do Nordeste


Compartilhar

Publicidade
Mais do Site Miséria
Publicidade

Enquete
Você anda usa telefone fixo em casa?

Qual seu sexo?

timelineResultado Parcial
TV Miséria
Humor