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Pernambuco

Traição descoberta um dia antes do crime é motivo de assassinato de médico esquartejado

Em 31/08/2018 às 17:45
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Denirson Paes da Silva foi morto pelo filho Danilo Paes e a esposa Jussara Rodrigues Silva Paes (Foto: Reprodução/Facebook)

O assassinato do médico Denirson Paes, de 54 anos, encontrado esquartejado em um poço na casa onde morava, em Aldeia, em Camaragibe, no Grande Recife, foi premeditado. Segundo a Polícia Civil, a descoberta de uma traição conjugal, um dia antes do crime, motivou o homicídio, praticado pela mulher e pelo filho dele.

Nesta sexta-feira (31), Jussara Rodrigues Paes e Danilo Paes foram denunciados pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que decretou a prisão preventiva dos dois. Eles são apontados como autores de homicídio triplamente qualificado.

Os detalhes do inquérito que apurou a morte do cardiologista foram apresentados nesta sexta, durante entrevista coletiva, no Recife. A polícia informou que a motivação do crime foi descoberta pela perícia, por meio de acesso aos celulares da vítima e da mulher.

Segundo a corporação, no dia 30 de maio, um dia antes do assassinato, Jussara teve acesso a senhas pessoais de Denirson e entrou em arquivos de computador do médico.

Em meio aos arquivos virtuais do marido, acessados às 7h08, Jussara encontrou fotos íntimas de uma mulher com a qual ele mantinha um relacionamento extra-conjungal há cinco anos.

Às 11h, um segundo acesso aos arquivos foi registrado. Meia hora depois, o médico cancelou, pela internet, uma viagem que o casal tinha agendada para o exterior, no dia 2 de junho. A reserva do estacionamento do aeroporto, onde deixariam o carro até a volta, também foi desfeita.

O médico ainda informou no trabalho que voltaria das férias antes do previsto. No histórico de buscas do celular, a perícia identificou que Denirson estava procurando por fechaduras para um apartamento para onde se mudaria.

Na tarde do mesmo dia, Jussara dispensou dois funcionárias da casa, sem motivo aparente, dizendo que eles não precisavam ir trabalhar no dia seguinte.

"O jardineiro disse em depoimento que ficou surpreso, porque em três anos trabalhando na casa, ela nunca havia dado uma folga", afirmou a delegada Carmen Lúcia, responsável pelas investigações.

A polícia acredita que a descoberta da traição tenha provocado um ataque de fúria na mulher e se tornado a principal motivação do crime. Isso teria agravado o problema do casal, que estava em processo de separação em curso.

A investigação também apontou a possível motivação de Danilo Paes para participar do crime. Segundo a polícia, ele e o pai não tinham um bom relacionamento. A corporação informa que o rapaz se referiu ao médico como "desgraça", durante uma conversa.

Crime

Segundo a polícia, Denirson chegou em casa por volta das 19h50 do dia 30 de maio. Naquela noite, ele teria chamado o filho mais novo, Daniel, para uma conversa em seu quarto, durante a qual contou que iria se mudar para um apartamento e afirmou que a relação com ele seria a mesma, independentemente da separação do casal.

Após a conversa, Daniel deixou o quarto do pai, por volta das 23h30. Segundo a polícia, o crime teve início cerca de meia hora depois que o filho mais novo foi dormir.

A perícia aponta que o quarto de Denirson foi o ponto inicial do crime, onde aconteceu a asfixia por enforcadura. Segundo o perito criminal Fernando Benevides, a força aplicada no golpe indica que o estrangulamento tenha sido praticado pelo filho mais velho, devido ao porte físico do agressor, indicado pelos exames.

Após a asfixia, Denirson foi levado por cerca de seis metros até um corredor próximo ao quiosque, em frente a um quartinho, no qual o médico guardava materiais de trabalho.

Nesse local, a dupla fez uma tentativa de carbonização, mas sem sucesso. A perícia identificou, ainda, que objetos contundentes foram utilizados para dar pancadas na cabeça do médico. Ele teve fraturas no osso Ióide e em partes do crânio e da mandíbula.

O corpo de Denirson foi esquartejado nesse corredor, que fica distante dois metros do poço onde ele foi encontrado. O inquérito aponta que uma serra foi utilizada para dividir o corpo em três partes.

Provas e contradições

As provas da perícia e as contradições nos depoimentos de Jussara e de Danilo foram os principais fatores que determinaram a autoria do crime, segundo a polícia. "Não tenho nenhuma dúvida, tanto pelas provas, como pelas testemunhas e contradições nos depoimentos", afirmou a delegada Carmen Lúcia.

A corporação informou que, no primeiro depoimento, a viúva disse que o médico teria saído de casa na manhã do dia 31 e que acreditava que ele teria ido para o apartamento e depois viajado, conforme o planejado.

No entanto, a perícia feita no celular de Denirson revela que ele não saiu da casa naquele dia, além de a passagem aérea já ter sido cancelada.

Sobre o apartamento, a mulher deu diferentes declarações, de acordo com a polícia. Primeiro, disse que o imóvel estava sendo arrumado para que a família passasse um tempo lá, enquanto a casa era reformada. E em outra ocasião, alegou que o apartamento seria alugado.

O exame de perícia feito com luminol, um reagente químico, apontou a presença de sangue em todos os cômodos do imóvel, com excessão do quarto de Denirson. Vestígios foram identificados, inclusive, em um guarda-roupas no quarto de Danilo e nos boxes dos banheiros.

A perícia identificou, ainda, que a casa inteira foi lavada com alvejantes. Os potes do material usado foram encontrados atrás de uma poltrona no quarto de hóspedes, onde Jussara estava dormindo havia cerca de três meses. Também foram achados vestígios de sangue no local.

No dia seguinte ao crime, Jussara e Danilo apresentavam dores na coluna, segundo a polícia, causadas pelo esforço físico do assassinato e da limpeza do local.

Em uma conversa com sua professora de pilates, na manhã no dia 31, Jussara afirmou que não poderia ir para a aula, pois estava com crise de coluna, devido ao esforço físico feito enquanto trabalhava com o jardineiro no dia anterior.

"Frisa-se que ela tinha dispensado o jardineiro", ressaltou a delegada. Ainda na conversa, a professora se ofereceu para ir até a casa dela, mas ela disse que não precisava.

Segundo a polícia, no dia em que registrou o boletim ocorrência sobre o desaparecimento do marido, em 20 de junho, Jussara fez uma visita ao apartamento do marido, com a cunhada e uma amiga, simulando ser a primeira vez que iria ao local após o desaparecimento.

"Ela fingiu que estava passando mal ao entrar no apartamento, por medo de achar o corpo dele lá. Mas em uma conversa com a irmã, no dia 18, ela afirmou que esteve realmente no imóvel. ", disse a delegada.

Ao entrar no apartamento no dia 20, ela encontrou a maleta de Denirson. Em depoimento à polícia, Jussara afirmou que havia uma foto do casal, o passaporte e R$ 1.500.

"Mas ela também havia dito que, no dia 29, abriu a maleta do marido e tinha encontrado R$ 16 mil e mais um bolinho de dinheiro que ela não contou. E para onde foi esse dinheiro?", questionou a delegada Carmen Lúcia.

Sangue frio

Apesar de Jussara e Danilo negarem o crime em todos os depoimentos e alegarem uma boa relação entre eles o Denirson, a polícia ressaltou a frieza com que eles agem desde o início das investigações, após o registro do boletim de ocorrência, no dia 20 de junho.

Segundo a delegada Carmem Lúcia, durante as buscas feitas na casa da família, Jussara repetiu diversas vezes que ele poderia estar na mata ao lado do condomínio e que poderia ter tido um infarto enquanto caminhava nas trilhas, sempre tentado fazer a atenção dos policiais se voltar para o ambiente externo.

Uma foto tirada pela perícia mostra o momento em que a equipe começou a mexer no poço onde estava o corpo. A expressão da viúva foi classificada pela delegada como “a cara de alguém que sabia que o crime iria ser descoberto”.

Carmem Lúcia ressaltou, ainda, que no momento em que o corpo foi achado, nem Jussara nem Danillo pareceram tristes ou revoltados, tendo o filho ficado preocupado com o diploma.

“Jussara só repetia a frase ´meu provedor, perdi meu provedor´. E Danilo colocou a mão no rosto, abaixou a cabeça e pediu pelo diploma. Ficou o tempo inteiro segurando o canudo e dizendo ‘isso vai me ajudar muito’”, contou a delegada.

Cerca de um mês antes do assassinato de Denirson, Jussara teria também envenenado o cachorro da família, ao qual o médico era bastante apegado.

"Quando Daniel chegou em casa, ela disse para o filho não ir até o local, porque o cachorro estava agonizando e ensanguentado. Mas quando ele foi lá, viu que o animal estava espumando, trêmulo e sem conseguir levantar. Consultamos um veterinário, que disse que havia sinais de envenenamento", explicou a delegada.

Investigação

Na quinta-feira (30), a Polícia Civil indiciou Jussara Rodrigues Paes e Danilo Paes como autores do homicídio, a corporação solicitou a transformação da prisão temporária em preventiva. A perícia descartou a participação do filho mais novo ou de uma terceira pessoa.

Segundo a polícia, o crime foi praticado por motivo fútil, sem dar chance de defesa à vitima e com uso de meio cruel.

Jussara Rodrigues Paes e Danilo Paes estão presos em unidades do sistema penitenciário no Grande Recife, desde o dia 5 de julho. Eles tiveram dois habeas corpus negados pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e um pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

Mãe e filho foram autuados após um mandado de busca e apreensão na residência da família. Em seguida, a polícia chegou a estipular uma fiança no valor de R$ 1,9 milhão para mãe e filho, mas a quantia não foi paga.

Entenda o caso

O corpo de Denirson Paes, médico que atuava no Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), no Recife, foi encontrado no dia 4 de julho. Os restos mortais estavam em um poço do condomínio Torquato Castro, situado no Km 13 da Estrada de Aldeia, onde ele residia com a família. (Veja vídeo acima)

O Instituto de Criminalística (IC) realizou perícias com reagentes químicos para colher DNA e outros materiais para subsidiar as investigações. Depois de perícias, o IC constatou que o corpo teve partes carbonizadas antes de ser escondido no poço, que tem cerca de 25 metros de profundidade.

As primeiras perícias realizadas no corpo do médico indicaram que ele foi esquartejado. A cabeça e o tórax do médico foram encontrados no dia 12 de julho. Na data, a polícia civil informou que 90% do cadáver de Denirson Paes tinha sido encontrado e encerrou as buscas.

Fonte: G1 PE

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