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Apoio à pena de morte cresce nos EUA

Em 05/09/2018 às 08:45
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Tendência seria de baixa no apoio à pena capital no longo prazo, mas com alguns picos (Foto: Reprodução/ Terra)

Em 2016, o apoio à pena de morte atingiu 49%, o menor nível nos EUA em 40 anos. Desde então, os defensores da pena capital para os condenados por homicídio aumentaram e, em 2018, voltaram a ser a maioria da população (54%), segundo pesquisa do instituto Pew Reseach Center.

Os números ainda ficam muito abaixo do patamar de décadas anteriores, mas apontam que a maior mudança de comportamento entre os que responderam à pesquisa aconteceu dentro do grupo que se considera independente - nem republicano, nem democrata. Entre 2016 e 2018, o apoio à pena de morte entre os independentes subiu de 44% para 52%.



Robert Dunham, diretor executivo da instituição Death Penalty Information Center, afirma que a curva de análise das pesquisas mostra que a população americana tem se distanciado do apoio à pena de morte. Segundo ele, movimentos pontuais de alta podem ter influência, por exemplo, com a fala do presidente americano, Donald Trump, de adotar "tolerância zero" com traficantes de drogas e seu discurso em defesa da pena de morte para esses criminosos - em março, o presidente pediu a morte de traficantes.

Já na avaliação de Evan Mandery, autor de livros sobre a pena de morte e professor da John Jay College of Criminal Justice, em Nova York, os apoiadores de Trump já são tipicamente aqueles que defendem a pena de morte e, por isso, ele não vê evidências de que o discurso contamine o resultado da pesquisa.

Mandery afirma que "ficaria muito surpreso se houvesse o ressurgimento dos apoiadores", disse. De acordo com ele, os números são "dramaticamente diferentes" do que costumavam ser há anos e continuam distantes de um apoio da população à pena capital.

"Há fatores individuais que podem afetar os números pontualmente, mas que necessariamente não impliquem em reversão da tendência", afirma Robert Dunham. Ele cita uma pesquisa do Instituto Gallup, de outubro, que apontou que 55% da população americana se declarava a favor da pena de morte para assassinos condenados. A taxa seria a mais baixa desde março de 1972, quando a Suprema Corte dos EUA declarou a pena de morte inconstitucional.

A relação do apoio à pena de morte com o crime, segundo os especialistas, não é direta. O que pode afetar a resposta da população é a sensação e a percepção sobre os índices de criminalidade.

Para o diretor do centro Death Penalty Information, essa percepção pode ser afetada por "deturpações" do governo atual, ao mencionar taxas de homicídios, e no tratamento inflamatório sobre imigrantes e aumento do perigo no país, fazendo referência ao governo Trump.

Nos EUA, os dados do Departamento de Justiça mostram que, no primeiro semestre de 2017, em comparação com o mesmo período de 2016, os crimes violentos e os homicídios caíram 3,3% e 1,9%, respectivamente, nas cidades com mais de 1 milhão de habitantes. Em todo os EUA, o número de crimes violentos caiu 0,8% e o de homicídios, em compensação, subiu 1,9%.

Michael Rushfor, presidente da associação Criminal Justice Legal Foundation, que se declara a favor dos direitos das vítimas, considera que altas taxas de homicídios em grandes cidades como Baltimore, e a ostensiva cobertura da imprensa sobre os casos faz a população aumentar seu apoio à pena de morte.

"As pessoas estão mais conscientes do aumento do crime e da violência, que parece estar fora do controle em algumas regiões", afirmou. Segundo ele, iniciativas para reduzir o tempo de pena de criminosos e aliviar o sistema penitenciário americano também podem aumentar a sensação de insegurança e o apoio à pena de morte.

Autor de livros sobre o tema, Evan Mandery pondera que o apoio à pena de morte é analisado "como um fator sociológico mais profundo, que leva em conta aspectos como escolaridade". Na pesquisa do Pew Research Center, 56% dos adultos com diploma de pós-graduação se opõem à pena de morte para os condenados por homicídio. O número cai para 42% entre aqueles com diploma universitário, mas sem pós-graduação, e para 38% entre os que acabaram os estudos no ensino médio.

Terra

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