Cariri
Andarilhos na América Latina
Curioso: A história de um uruguaio e um argentino nos semáforos do Crato
Por:
Jornalista Alana Soares
Em 23/05/2019 às 02:00

Amizade na estrada: O argentino Luis, 32, e o uruguaio Gabriel, 42, se conheceram por acaso e estacionaram juntos em Crato (Foto: Alana Soares/Agência Miséria)

Compartilhar

Faz pouco mais de 30 dias que o uruguaio Gabriel Martinez, 42, e o argentino Luis Aguirre, 32, estacionaram suas mochilas viajantes na Princesa do Cariri em busca de descanso e conhecimento. Amigos há pouco tempo, os dois se conheceram em Maceió e escolheram o Crato como uma das cidades mais queridas em suas listas de viagem.

Gabriel, que saiu começou sua jornada andarilha cedo, ainda aos 16 anos, disse estar encantado pela vida e pelo povo cratense. “É calmo, bonito, com gente boa e sem maldade. Quero passar um tempo por aqui”, diz o uruguaio que rodou todo o país e alugou uma pequena casa na cidade.

“As pessoas são boas, nos chamam de artistas e mesmo quando não dão uma moeda, dão um sorriso, um aceno”, revela. Pelos dias a fio Gabriel trabalha com malabares nos semáforos. Um dos seus pontos favoritos é a Praça Alexandre Arraes, a Bicentenário, o qual divide com o colega argentino Luis.

Luis andou mais em menos tempo. Há 12 anos atravessa a América Latina. Visitou a Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e agora desbrava o Brasil. “Sou viajante porque gosto. Nessa vida, às vezes passamos frio, nos sentimos sozinhos, mas é uma boa vida, é a que escolhi”, admite.



ENCONTRAR A SI MESMO

Busca por experiências e questionar o modus operandi da sociedade são chaves que ligam os dois amigos.

Luis deixou Buenos Aires aos 20 anos. Questionador, entusiasta das relações humanas e motivo por um desejo nato de explorar, saiu em mochilão pelo país natal. Não satisfeito, aproveitou carona e seguiu para os vizinhos de língua espanhola. “Quem não viaja, nada conhece”, leva como estandarte.

Artesão e malabarista, trabalha com facões para entreter motoristas parados no sinal. O trabalho rende o suficiente para viver como ele quer e gosta. Depois de passar por quase todo o litoral brasileiro, planeja viagem para o Peru.

Aos 16, Gabriel saiu de casa, na cidade de Salto, após a avó morrer para encontrar sua mãe biológica na capital Montevidéu, se viu em um caminho sem volta. Após terminar o equivalente ao Ensino Médio, fez curso de eletricista e saiu Uruguai adentro de bicicleta.

Gabriel: "Gosto de dormir sob as estrelas” (Foto: Alana Soares/Agência Miséria)


“Vivi em todas as cidades do Uruguai. Não havia mais novidade para mim lá”, explica sua escolha por entrar no Brasil. Toda a jornada faz de bicicleta, dormindo ao relento. “Não me importo. Gosto de dormir sob as estrelas”, diz.

Aprendeu malabares e outras habilidades artísticas com andarilhos que encontrou no meio do caminho. Também foi açougueiro, servente de pedreiro, faz-tudo e mais.

Hoje sobrevive com os ganhos do malabares. “Dá para comer, comprar algo que precise e, se sobrar, beber uma cervejinha”, brinca.

Compartilhar

Mais do Site Miséria

Enquete
Você se sentiu ofendido com o comentário de Bolsonaro sobre os governadores do nordeste?

Qual seu sexo?

timelineResultado Parcial
TV Miséria
Humor