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Bolsonaro ignora dado sobre segurança e diz que crimes caíram em seu governo
Presidente relacionou fala ao número de brasileiros com armas de fogo; anuário sobre segurança pública revela aumento de mortes violentas em 2020.
‘O povo tá vibrando’, diz Bolsonaro sobre novo decreto de armas
Presidente Jair Bolsonaro (Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, no domingo (26), que “todos os índices de homicídios, estupros, latrocínios, roubo de veículos e cargas, invasão de fazendas, entre outros, caíram” desde que ele assumiu o governo, em janeiro de 2019.

A mensagem foi publicada no Twitter junto a uma imagem que diz que mais de um milhão de armas estão em poder de pessoas civis, número que teve um aumento de 65% desde 2018.

Facilitar o acesso da população a armas de fogo foi uma das prioridades de campanha de Bolsonaro. Nos quase três anos de governo, ele já fez mais de 30 alterações na política armamentista, segundo levantamento do Instituto Sou da Paz.

As últimas mudanças foram feitas por quatro decretos no início do ano, suspensos pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre elas, para era aumentar de quatro para seis o número de armas que um cidadão pode adquirir, com limite de oito para policiais, agentes prisionais, integrantes do Ministério Público e de tribunais. Também para permitir o porte – autorização para circular – simultâneo de duas armas.

A declaração de Bolsonaro, no entanto, é contrariada pelo 15º anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo os dados divulgados em julho deste ano, o Brasil retomou a tendência de aumento de mortes violentas intencionais em 2020, após os dois anos anteriores em queda.

No último ano, o índice subiu 4%. Foram 50.033 vítimas, sendo 78% delas mortas com armas de fogo. As mortes violentas intencionais, consideradas pelo anuário, somam os registros de homicídios dolosos (quando há intenção), latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, feminicídios e mortes decorrentes de intervenção policial.

“A arma de fogo é o principal instrumento utilizado para todos os tipos de crime, com exceção da lesão corporal seguida de morte – crime em que não há a intenção de matar a vítima, mas sim de feri-la”, destaca o anuário. De acordo com os números, a arma de fogo foi utilizada em 83,5% das mortes por intervenção policial, 75,8% dos homicídios dolosos, 60,9% dos latrocínios e 14,5% das lesões corporais seguidas e morte.

Segundo o mesmo levantamento, as medidas de flexibilização do acesso às armas adotadas pelo governo Bolsonaro fizeram com o Brasil atingisse a marca de 2.077.126 de armas legais particulares em dezembro de 2020. O número representa 1 item para cada 100 brasileiros. Há, ainda, outras 359,8 mil armas usadas por instituições do poder público.

Veja a publicação do presidente da República:

Fonte: O Tempo

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