Imagem ilustrativa. Foto: Thais Mesquita
De janeiro a novembro de 2025, a região do Cariri cearense registrou mais de 4 mil ocorrências de violência contra as mulheres. Os casos englobam diferentes tipos de violência, como a física, psicológica, moral, patrimonial e sexual, com base na Lei Maria da Penha. Os dados foram confirmados pela Secretaria das Mulheres do Ceará ao Portal Miséria/M1.
Os meses com maior número de registros foram agosto (411), setembro (428) e novembro (441). O acumulado do ano passado já atingiu 4.138 casos, um patamar que deve ultrapassar o total de 2024 — quando forem contabilizados os dados de dezembro — ano em que a região registrou 4.164 ocorrências.
Para Verônica Isidório, integrante da Frente de Mulheres do Cariri, o aumento da violência abre um alerta em especial para os gestores pensarem em políticas estruturantes e avaliarem os resultados do que tem sido implementado. “Porque o que se tem feito, a gente já tem observado que os resultados não têm sido, na prática, resultados efetivos nesse enfrentamento a essa violência, no combate ao feminicídio”, comentou.
Ela defende que é preciso pensar, além das políticas já implementadas, um diálogo maior entre os poderes junto aos coletivos de mulheres, para que esses grupos não apenas coloquem as demandas, mas também tenham a oportunidade de propor. “É fundamental para a gente conseguir capilarizar essas informações, ampliar as campanhas de enfrentamento à violência, ampliar os equipamentos”, pontuou Verônica.

Imagem ilustrativa. Foto: Joédson Alves / Agência Brasil.
Ações
Quando questionada sobre as ações que pretende realizar em 2026 para o combate à violência, a Secretaria de Mulheres apontou que seguirá com um foco estratégico na expansão e no fortalecimento da rede de proteção.
Entre as principais iniciativas estão a abertura de novas casas municipais de acolhimento, a inauguração de mais Casas da Mulher Cearense (Tauá, Crateús e Iguatu), a ampliação do número de Salas Lilás nos municípios e o fortalecimento e a expansão da Patrulha Maria da Penha, com apoio direto às cidades para que estejam devidamente equipadas.
Segundo a pasta, também há expectativa de intensificar políticas voltadas à autonomia econômica das mulheres. Entre essas iniciativas estão os cursos profissionalizantes, geralmente ofertados nas Casas da Mulher Brasileira Cearense, em áreas como estética, culinária, eletricidade, entre outras.
No entanto, para Verônica é preciso ir além na oferta de formações. “Aqui, a região do Cariri é uma das regiões que mais tem equipamentos culturais. Então, nós precisamos ter formação nessa área específica também, da gestão cultural e da produção cultural. A gente precisa ter cursos na área de comunicação, na área da informatização, das tecnologias”, apontou.
Além dos cursos técnicos, o movimento de mulheres também defende espaços de formação política, para que elas possam elaborar, estrategicamente, os caminhos que versam sobre o cotidiano. “A gente precisa pensar uma sociedade onde essa equidade de direitos e de deveres, do poder, ela seja efetivada para toda a população”, destacou a ativista.
Continuidade nos serviços
Outro ponto que tem sido debatido entre o movimento na região é a necessidade de realizar concursos públicos para os equipamentos de proteção no Cariri para a continuidade dos serviços e consolidação da capacidade técnica dos profissionais.
“Se a gente não tem concurso nem seleção, e o ideal são os concursos, a gente vai ter a quebra. E essa quebra do serviço, a cada dois anos, a cada quatro anos, enfim, seja lá como for, ela vai prejudicar o andamento da política”, argumentou Verônica.