Manoel Caboclo | Foto: Reprodução
Como forma de homenagem póstuma, esse veículo de comunicação lembra exatos 100 anos de nascimento do poeta Manoel Caboclo e Silva, que transcorre nesta sexta-feira. Ele nasceu em Juazeiro no dia 2 de janeiro de 1926 e morreu no dia 21 de julho de 1996 aos 70 anos. Era filho de João Caboclo da Silva e Rita Zeferina de Athayde e sua aproximação com os folhetos ocorreu no ano de 1938 ao ser convidado pelo também poeta José Bernardo da Silva para trabalhar como aprendiz na Tipografia São Francisco.
Com intensa dedicação ao trabalho, Manoel Caboclo foi gradativamente aprendendo o ofício, trabalhando inclusive no processo de produção dos folhetos da tipografia. Ele desenvolveu conhecimento no que tange à produção, editoração e distribuição dos folhetos de cordel. Todavia, no final da década de 40, passou a trabalhar com o poeta e astrólogo João Ferreira de Lima, que editava o “Almanaque de Pernambuco” e era impresso na Tipografia São Francisco em Juazeiro.
Depois, a arte e magia da ciência astrológica quando, na parceria com João Ferreira abriu uma gráfica perto do Mercado Central de Juazeiro. Foi quando passou a imprimir o Almanaque de Pernambuco na sua gráfica em sociedade com o autor que logo foi rompida. Entretanto, Manoel Caboclo seguiu no ramo e, em 1966, montou sua própria tipografia denominada Folhetaria Casa dos Horóscopos. Foi quando passou a publicar trabalhos de sua autoria e de outros autores como João Cordeiro e João de Cristo Rei.
“Nossa Senhora chorando falou à menina de dez anos” foi o folheto mais famoso da tipografia, com tiragem de 45 mil cópias. Já no ano de 1973 ele comprou os direitos de publicação de Joaquim Batista de Sena que editava cordéis em Fortaleza, adquirindo ainda os direitos de publicação das obras de Luiz da Costa Pinheiro e de José Camelo, pertencentes à Batista de Sena. A Folhetaria Casa dos Horóscopos editava não apenas cordéis, mas, também, o almanaque O Juízo do Ano.
O empreendimento foi fechado com a sua morte e numa época em que o almanaque enfrentava momentos de crise. O poeta Manoel Caboclo harmonizava a escritura poética e, paralelamente informativa, com os seus dotes astrológicos, vendendo talismãs e horóscopos individuais por meio de correspondências trocadas com os consulentes, através da própria produção da tipografia. Na edição de 1970 do Juízo do Ano, já destacava os efeitos nocivos do hábito de fumar e propagava serviços como astrólogo.
Manoel Caboclo foi poeta, cordelista e artista de grande importância para o sertanejo, oferecendo horóscopos individuais, astrologia, astronomia, numerologia, parapsicologia, fenologia, necromancia e outras ciências ocultas. Inicialmente, produzia seus folhetos de forma anônima, mas, por sugestão do pesquisador Liêdo Maranhão, passou a assumir a autoria.
Seus poemas versam sobre os mais variados temas do cotidiano vivenciados pela sociedade contemporânea a exemplo da violência, romances, lutas e histórias de amor, mas foi a vertente religiosa centrada na figura de Padre Cícero, a maior parte de sua produção poética. Como escritor, estima-se que tenha escrito mais de 50 folhetos, além de ter deixado um legado valioso que foi o almanaque O Juízo do Ano objeto de pesquisa até os dias de hoje.