Mural foi incendiado poucos dias após a conclusão. Foto: Reprodução / Redes Sociais.
Um ato de vandalismo que destruiu uma obra de arte urbana em homenagem à fotógrafa Telma Saraiva, no Crato, tem mobilizado coletivos artísticos do Cariri. O incêndio na intervenção aconteceu em 4 de janeiro, poucos dias após sua conclusão, e foi classificado pelos artistas como um crime contra a arte e a memória das mulheres da região.
A obra, assinada pela artista Cleo do Vale, do Wa Coletivo, havia sido instalada no muro externo lateral do Museu Casa de Telma Saraiva e utilizava técnicas de restauração digital de fotografia, stencil, lambe-lambe e crochê. Tratava-se de uma homenagem à Carmem de Servilha, uma das personagens de Telma.
Em nota de repúdio, o grupo solicitou rigor na apuração do caso e a adoção de medidas para que violações semelhantes não se repitam. Ainda, relembrou o pioneirismo de Telma na arte da fotografia pintada na região. “O mesmo sistema que oprime tenta controlar, apreender e silenciar vozes como a dela e de suas herdeiras artísticas”, diz trecho do texto.
Entre os materiais utilizados para a construção do mural estavam spray, papel, lã sintética, fio lurex, macropaetês, silicone e pregos. Segundo a família de Telma Saraiva, que gerencia o museu, medidas de segurança, como a instalação de câmeras, têm sido estudadas para evitar novas violações.
O caso é investigado pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio da Delegacia Regional de Crato.