Foto de arquivo mostra Pedro Lobo no Aeroporto de Juazeiro do Norte em ocasião anterior | Foto: Reprodução
A mulher que denunciou o suplente de deputado estadual Pedro Lobo (PT) por importunação sexual deu detalhes do episódio ocorrido durante o desembarque de um voo que partiu de Guarulhos (SP) com destino a Juazeiro do Norte, na madrugada desta segunda-feira (2). A vítima é uma médica de 33 anos, natural de Pernambuco.
Segundo o relato, o parlamentar teria se aproximado dela de forma abrupta enquanto os passageiros recolhiam as bagagens, encostando o corpo com o membro sexual ereto, o que motivou a denúncia ainda no aeroporto e a posterior detenção de Pedro Lobo pela Polícia Federal (PF). O suplente nega as acusações.
“Eu me levantei para pegar minhas coisas. Quando voltei o corpo reto, ele veio para cima de mim, com o pênis dele ereto, me encoxando com tudo. Na hora eu me virei e disse: ‘moço, o que é isso?’”, disse a mulher ao jornal Folha de Pernambuco.
De acordo com a médica, Pedro Lobo não esboçou reação após ser confrontado e não pediu desculpas. Ela relatou ainda que um passageiro que estava na poltrona de trás afirmou ter presenciado toda a situação e se colocou à disposição como testemunha. Em seguida, ela procurou um fiscal na área de desembarque e formalizou a denúncia.
“Ele não esboçou reação. Nem para pedir desculpas ou falar que foi um mal-entendido. […] Conseguiram atrasar a mala dele até dar tempo da polícia chegar. Ele tentou sair do local, mas não conseguiu porque não o deixamos. Falei que ele só sairia dali me agredindo. Ele estava super calmo, não pediu desculpas para mim”, acrescentou.
Chegada da PF
Ainda conforme o depoimento, após a chegada dos agentes da PF, o comportamento do petista teria mudado. Ela afirmou que ele passou a pedir perdão e disse que o episódio poderia acabar com a vida dele.
“Nessa hora, ele veio correndo atrás de mim, me chamando de ‘meu amor’. Eu disse que quem me chama de ‘meu amor’ é meu marido. Ele disse que ia pegar a mochila do amigo, mas eu disse que tinha testemunhas. Daí ele começou a pedir perdão e disse que a Polícia Federal ia acabar com a vida dele”, relatou.
A médica afirmou que não conhecia Pedro Lobo e que ele teria se recusado a informar o próprio nome no momento da abordagem. A identidade do suplente só foi descoberta após outra mulher presente no local informar que ele era ex-vereador do Crato e suplente de deputado estadual.
“Como eu tinha testemunhas, eles deram todo o relato que viram. Soube que ele entrou em contradição no depoimento ao dizer que estava pegando a mochila de um amigo, mas esse rapaz falou que mal o conhecia e não pediu isso. Eu só quero que a justiça seja feita”, concluiu a médica.
Defesa alega mal-entendido
Em nota divulgada após a repercussão do caso, a defesa de Pedro Lobo afirmou que o episódio relatado pela vítima decorre de um mal-entendido ocorrido durante o desembarque, em um ambiente de aglomeração, pressa dos passageiros e intensa movimentação de bagagens. Segundo o texto, situações como essa podem gerar interpretações distintas sobre um mesmo fato, que serão esclarecidas ao longo da apuração.
A defesa acrescentou que Pedro Lobo está tranquilo, com a consciência serena, e confia que a investigação demonstrará que não houve qualquer conduta criminosa de sua parte. Ainda conforme a nota, o suplente tem colaborado com as autoridades desde o início, com transparência e respeito ao trabalho investigativo.
Confira o relato da vítima na íntegra:
“Estava no voo de Guarulhos (SP) para Juazeiro do Norte (CE). Quando o avião pousou, eu me levantei para pegar minhas coisas. Um rapaz que estava na poltrona atrás da minha me ajudou a tirar minha mala. Coloquei na frente da poltrona e abri o suficiente para colocar um iPad. Quando voltei o corpo reto, ele [Pedro Lobo] veio para cima de mim, com o pênis dele ereto para cima de mim, me encoxando com tudo. Na hora eu me virei e disse: “moço, o que é isso?”. Ele não esboçou reação. Nem para pedir desculpas ou falar que foi um mal-entendido.
Quando desci da aeronave, o rapaz que tinha me ajudado a pegar a mala chegou para mim e disse que viu o que aconteceu e que, se eu quisesse denunciar, ele seria minha testemunha. Aí fui atrás do fiscal que fica na porta da área restrita do desembarque para ele chamar a polícia. Conseguiram atrasar a mala dele [acusado] até dar tempo da polícia chegar. Ele tentou sair do local, mas não conseguiu porque não o deixamos. Falei que ele só sairia dali me agredindo. Ele estava super calmo, não pediu desculpas para mim.
Nessa hora [quando a polícia foi acionada], ele veio correndo atrás de mim, me chamando de ‘meu amor’. Eu disse que quem me chama de ‘meu amor’ é meu marido. Ele disse que ia pegar a mochila do amigo, mas eu disse que tinha testemunhas. Daí ele começou a pedir perdão e disse que a Polícia Federal ia acabar com a vida dele.
Joguei no Google e achei o Instagram dele. Como eu tinha testemunhas, eles deram todo o relato que viram. Soube que ele entrou em contradição no depoimento ao dizer que estava pegando a mochila de um amigo, mas esse rapaz falou que mal o conhecia e não pediu isso. Eu só quero que a justiça seja feita”, disse a mulher ao jornal Folha de Pernambuco.
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