Ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio - Foto: Guto Vital / Portal Miséria.
Prestes a cumprir agenda no Cariri, o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil) participará do primeiro encontro de Ciro Gomes (PSDB) com aliados na região, voltado a fortalecer a oposição de direita no Ceará. Em entrevista exclusiva ao Portal Miséria/M1, Cláudio comentou sobre as expectativas em torno de uma possível candidatura de Ciro, o papel das lideranças do Cariri, a composição de chapa, situação da saúde pública e outros temas que têm permeado o debate eleitoral.
Apesar de recentemente ter registrado 26% das intenções de voto em uma eventual disputa pelo Palácio da Abolição, segundo pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada nesta quarta-feira (4), Roberto destacou que os grupos adversários do governo petista estão atualmente coesos na formação de uma pré-candidatura do chamado “plano A”, representada pelo ex-ministro.
“A gente hoje tem uma oposição ampla, unida, apesar de diferenças de um passado recente, apesar, inclusive, de algumas diferenças de posicionamento em relação ao cenário nacional, há uma união de propósito, nesse momento, muito desprendida de interesses políticos pessoais, para que a gente possa dar ao povo cearense uma alternativa”, disse.
Formação de chapa
Ainda em processo de articulação política, Roberto Cláudio não descartou a possibilidade de integrar a chapa majoritária ou concorrer em outros espaços, como o Senado, Câmara dos Deputados ou Assembléia Legislativa do Ceará.
De acordo com o médico, os aliados ainda estão discutindo a melhor configuração para ampliar o projeto político que defendem em todas as esferas. “Eu lhe prometo que vai ter uma foto minha na urna lá. Agora, para quê e de que jeito vai ser? Pega um tempinho a mais, porque a gente vai precisar construir isso a muitas mãos e de forma muito desprendida”, comentou ao mencionar um diálogo com uma familiar.
Se desenha a construção de uma Federação com o União Brasil, PSDB, Podemos, Avante e outras legendas do mesmo espectro político. “E temos também o PL, compondo essa frente de oposição com a expectativa de evento de participação nessa chapa futura”, disse.

Foto: Reprodução.
Papel do Cariri
Considerado estratégico para as eleições de 2026, não apenas pelo peso eleitoral, mas também pelo potencial de influenciar a formulação de planos de governo, o Cariri tem recebido atenção especial desde o início do ano.
Para a oposição, a região terá papel fundamental no fortalecimento de uma possível pré-candidatura de Ciro Gomes, especialmente diante do crescimento de nomes contrários ao governo petista, como o prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos); o ex-candidato à prefeitura do Crato, Aloísio Brasil (União Brasil), o ex-prefeito de Barbalha, Argemiro Sampaio (União Brasil) e Zé Adega (PL).
Para Roberto, a reeleição de Glêdson e as disputas acirradas nas cidades de Crato e Barbalha, mostram o crescimento das ideias do grupo no local. “Eu acho que essas lideranças do Crajubar, elas inspiram nesse movimento de oposição muita força, são exemplos pessoais, mas também dão força numa região que é a economicamente mais próspera do estado do Ceará”, afirmou.
A liderança ainda apontou a possibilidade de ter nomes do Cariri na chapa majoritária ou em outras composições. Porém, as confirmações só serão feitas durante o período das convenções partidárias, que este ano devem acontecer entre 20 de julho a 05 de agosto.
“A presença política do Cariri hoje, dentro das forças de oposição, é uma presença predominante. E a gente, no momento certo, vai sentar com maturidade, como eu disse, sem vaidades pessoais e construir uma chapa que tenha uma representação de diferentes regiões do Estado”, assegurou.
Direção do HRC volta à pauta
Ainda ao M1, Roberto Cláudio mencionou que um dos problemas mais graves que a região enfrenta está na área da saúde. À reportagem, o ex-prefeito da capital cearense citou a necessidade de expandir o Hospital Regional do Cariri (HRC) e incluir novas especialidades.
Dias após o ex-ministro Ciro Gomes criticar a indicação de pessoas para a direção dos hospitais regionais, chegando a afirmar que um “médico doidinho” estava à frente do HRC, o filiado ao União Brasil também criticou a prática de nomeações sem processo seletivo público.
“Colocaram um cara, e nada pessoalmente contra, mas qual foi a prova que participou? Qual foi o critério de seleção? A não ser ser um cabo eleitoral, que vive aí no rabo de estrada do caminho”, disse.
Alega falta de prioridade no interior
Além da segurança pública, uma dos pontos que têm sido mencionados pela oposição de direita é uma suposta falta de prioridade e diálogo do governo do Ceará para as políticas públicas, obras e articulações desenvolvidas no interior do estado.
Na avaliação de Roberto, há potencial turístico e econômico que pode ser intensificado. “Não vale um projeto só para o Ceará inteiro. E, muito menos, olhar só para a região metropolitana e só para a Fortaleza, que também tem que ser olhada. Mas a gente tem que olhar para os irmãos e irmãs do interior e dar oportunidade de progresso, de autonomia”, sustentou.
Confira a entrevista na íntegra:
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