Pintura que reproduz o Beato José Lourenço e a Capela do Caldeirão em Crato.
Como forma de homenagem póstuma, esse portal de notícias lembra exatos 80 anos da morte do Beato José Lourenço, que transcorre nesta quinta-feira, dia 12 de fevereiro. José Lourenço Gomes da Silva nasceu em outubro de 1872 em Pilões (PB) e morreu no dia 12 de fevereiro de 1946 em Exú (PE) aos 73 anos. Ele chegou ao Juazeiro em 1890 com 18 anos na companhia dos pais e três irmãos quando conheceu Padre Cícero época das repetidas transformações da hóstia em sangue na boca da beata Maria de Araújo.
Foi em terras indicadas pelo sacerdote, no ano de 1926 no Sítio Baixa Dantas em Crato e no Caldeirão dos Jesuítas, que ele criou um modelo de agricultura coletiva, onde tudo que era produzido era partilhado com todos. Foi essa liderança do Beato José Lourenço que passou a incomodar muitos a partir do próprio Floro Bartolomeu o qual chegou a mandar prendê-lo. Com a morte de Padre Cícero, as hostilidades aumentaram contra o beato e seu povo até a dizimação do Caldeirão já reunindo milhares de pessoas.
Na madrugada do dia 11 de maio de 1937 dois aviões e 200 soldados destruíram o povoado e metralharam os colonos, dizimando aquele povo pacífico cerca de três anos após a morte de Padre Cícero. Os que não morreram na hora foram caçados por policiais e jagunços a serviço dos coronéis e muitos morreram degolados. Após ver a destruição do seu projeto, o Beato José Lourenço foi embora para Exu (PE), aonde tentou idêntica iniciativa sem êxito no Sítio União e ali morreu vítima da peste bubônica
Denominado Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, era uma fazenda na Serra do Araripe mais precisamente no Distrito de Santa Fé, onde o beato reuniu seguidores de vários estados e muitos até encaminhados pelo próprio Padre Cícero. Baseado na orientação do sacerdote, passou a desenvolver o projeto baseado na oração e no trabalho. Durante dez anos a comunidade se transformou num local de fartura e alimento para a alma.
Entretanto, os poderosos passaram a rejeitar a iniciativa enxergando como atitude comunista e deflagrando um processo de combate. Por sua verve comunitária e fraterna, o beato era antipatizado pelos coronéis que se sentia incomodados e considerando um “mau exemplo” semelhante a Canudos (BA). Após a morte no Pernambuco, o corpo do beato foi trazido a Juazeiro e deveria ter sido velado na Capela de São Miguel, mas o vigário Monsenhor Juviniano Barreto, não aceitou a entrada do corpo e nem a missa.
Nisso, o velório do Beato José Lourenço teve que ser improvisado em frente à capela e em meio a uma chuva forte durante a madrugada. Porém terminou sepultado no Cemitério do Socorro após arrombarem uma porta lateral. Ainda hoje existe toda uma auréola de respeito ao túmulo do beato José Lourenço bem ao lado da Capela do Socorro. O acesso de remanescentes do Caldeirão à lápide somente ocorre com os pés descalços e dizem que o túmulo é lavado com perfumes.