Foto: Guto Vital/Portal M1
Uma família de Juazeiro do Norte relata ter sido surpreendida com o desligamento do filho, de 11 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), poucos dias após o início do ano letivo em uma escola particular da cidade. Nesta quinta-feira (12), os pais concederam entrevista exclusiva ao Portal M1/Miséria, deram detalhes sobre o caso e anunciaram que vão buscar medidas legais para garantir os direitos da criança.
Segundo os pais, a decisão partiu da direção da instituição após um episódio de desregulação ocorrido na última segunda-feira (9), durante uma aula de educação física. A escola alega que o estudante teria agredido colegas e uma professora. A família afirma que foi surpreendida, no dia seguinte, com o desligamento. “Tentamos argumentar, mas a diretora foi inflexível e disse que não haveria outra alternativa”, relatou o pai, Wílami.
De acordo com o pai da criança, inicialmente não foi apresentado nenhum documento formal. Na terça-feira (10), ao retornarem à escola com o filho, ainda regularmente matriculado, os pais foram recebidos por um advogado da instituição e informados de que o aluno não poderia permanecer em sala de aula.
“A polícia compareceu, a escola conversou com a gente, conversou com a secretaria da escola, e a gente conseguiu que ele ficasse até o final do dia assistindo a aula”, contou. Ao final do expediente, porém, a escola entregou à família um documento de “desligamento compulsório”, apontando três motivos para a decisão.
Falta de suporte especializado
A mãe, Joelma, destacou que a escola não dispõe de profissional de Acompanhamento Terapêutico (AT) nem de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Ela afirmou ainda que não teve acesso direto à professora de educação física que presenciou o episódio. Segundo ela, quem entrou em contato foi a coordenadora pedagógica, que não estava presente no momento da ocorrência.
“Eu queria conversar com a professora até para entender o gatilho, o que foi, o que aconteceu. Não me permitiram ter esse contato, essa fala com a professora de educação física, o que já me gerou uma estranheza”, disse ela.
Apesar do impacto emocional, os pais afirmam que o filho está tranquilo em casa e que estão tomando todos os cuidados para minimizar os danos psicológicos. “Ele é uma criança atípica que precisa de um cuidado especial. Com apenas uma semana de aula ser expulso, isso é algo devastador para a gente. No momento, estamos procurando nossos direitos, mas, principalmente, resguardando a saúde mental da criança”, declarou o pai.
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