Guajá-do-Araripe está sob risco crítico de extinção | Foto: Urca/Divulgação
O caranguejo de água doce Guajá-do-Araripe (Kingsleya attenboroughi), exclusivo da Chapada do Araripe, pode estar criticamente ameaçado de extinção. Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (Urca) identificou a espécie em apenas quatro dos 27 corpos de água analisados na Área de Proteção Ambiental (APA) da região.
Com uma área de ocupação estimada em apenas 0,75 km², o estudo aponta que a espécie se enquadra nos critérios de risco crítico. Os pesquisadores alertam que a fragmentação dos ambientes aquáticos da chapada pode levar o Guajá-do-Araripe ao desaparecimento em poucas décadas. Entre os principais fatores apontados estão poluentes e redução de vazão.
De acordo com o professor Carlos Eduardo Alencar, a coleta de dados sobre a integridade dos corpos hídricos habitados pela espécie e os resultados são alarmantes. Para ele, a extinção sinalizaria que os ecossistemas aquáticos da região estão entrando em colapso.
“Todos os corpos de água estão fortemente impactados. Estamos agora desenvolvendo um artigo para divulgação dessas informações, com novos argumentos a serem apresentados para a comunidade em geral e auxílio na gestão ambiental”, afirmou.
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Guajá-do-Araripe está sob risco crítico de extinção | Foto: Allyson Pinheiro
Poluição antrópica
A bióloga Lucineide Lima, autora principal do estudo, explica que o caranguejo está diretamente conectado à integridade da água, e os resultados indicam que esses locais estão sofrendo com poluição antrópica e diminuição da vazão por suas canalizações. Comunidades que vivem no entorno dos locais de ocorrência dessa espécie utilizam a água desses corpos hídricos para regar plantações, dessedentar animais ou como lazer.
Segundo ela, o caranguejo mostrou preferência por riachos mais largos, águas frias e substratos arenosos com pedras — ambientes cada vez mais raros diante da canalização de nascentes, presença de esgoto, lixo, construções irregulares e atividades agrícolas. O estudo recomenda proteção mais rígida das nascentes, fiscalização ambiental e ações de educação voltadas às comunidades do entorno.