Floro Bartolomeu foi uma figura polêmica na história de Juazeiro
Como forma de homenagem póstuma, esse portal de notícias lembra exatos 100 anos da morte do médico Floro Bartolomeu da Costa, que transcorre neste domingo. Ele nasceu em Salvador (BA) no dia 17 de agosto de 1876 e faleceu aos 49 anos no dia 8 de março de 1926 no Rio de Janeiro, onde foi sepultado. O mesmo tinha apenas 31 anos de idade quando aqui chegou no dia 10 de maio de 1908, passando a lutar pela emancipação do povoado, sendo grande defensor de Juazeiro e do Padre Cícero.
Foi uma das figuras mais controversas da história de Juazeiro e amigo de estreita confiança de Padre Cícero. Floro Bartolomeu foi deputado estadual por dois mandatos chegando a presidir a Assembleia Legislativa e outros dois mandatos de deputado federal tendo falecido supostamente vítima de sífilis quando era congressista no Rio de Janeiro. Ele foi sepultado na condição de general honorário do Exército e, por isso, em meio a honras militares no Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro.
São muitas as narrativas de alguns historiadores sobre atos de violência praticados por Doutor Floro. Já outros pesquisadores fazem menções ao objetivo de “afastar” do vilarejo os desordeiros e colocar ordem e respeito no lugar. Ele foi um dos grandes líderes em favor da emancipação política de Juazeiro e um dos principais enfrentantes da Guerra de 1914, que culminou com a deposição do Governador Franco Rabelo. Conforme relatos históricos, sempre na defesa de Juazeiro, Padre Cícero e sua gente.
Na verdade, era um homem destemido e, por isso, terminou nomeado pelo governo federal para coordenar o Batalhão Patriótico no Ceará com o objetivo de combater a Coluna Prestes. Estrategista, Floro convidou Lampião e seu bando de cangaceiros para formarem fileiras com tal finalidade. Entretanto, a chegada do “Rei do Cangaço” em Juazeiro coincidiu com a morte do deputado. Há quem diga que Floro foi um “mal necessário” ao Juazeiro no sentido de por fim a badernas e desordens no povoado.
O município ainda iria completar três anos de emancipação quando, durante a Guerra de 14, tropas juazeirenses lideradas por ele ocuparam e saquearam o Crato, seguindo em direção à Fortaleza, onde depuseram Franco Rabelo. Na Câmara dos Deputados fez vários pronunciamentos em defesa de Padre Cícero e Juazeiro, cuja cidade começou a ser calçada com recursos conseguidos por Floro em socorro aos flagelados de uma das secas no sertão cearense.
Mesmo tendo sido apontado por muitos pesquisadores como um verdadeiro “Herói da Independência de Juazeiro”, São poucas homenagens a Floro Bartolomeu no município. Destaque-se o nome do prédio da Câmara Municipal e uma avenida que vai desde o centro até o bairro Juvêncio Santana. O escritor Geraldo Menezes Barbosa chegou a considerá-lo a terceira pessoa mais importante do Juazeiro antigo. Com sua morte, Padre Cícero chegou a ser eleito deputado federal na sua vaga. Porém não assumiu por conta já dos seus 82 anos na época e a saúde debilitada.