Manifestantes deram socos e pontapés em equipe de jornal (Reprodução)
O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Ministério Público do Distrito Federal que apure agressões a profissionais de imprensa durante o ato com pautas antidemocráticas e inconstitucionais em Brasília, neste domingo (3).
O presidente Jair Bolsonaro participou do ato e cumprimentou apoiadores que defendiam, entre outros temas, o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) e uma intervenção militar.
O chefe do Ministério Público Federal enviou ofício ao MP distrital por entender que não cabe uma investigação da PGR, já que não há pessoas com foro privilegiado envolvidas nas agressões.
“Tais eventos, no entender deste procurador-geral da República, são dotados de elevada gravidade, considerada a dimensão constitucional da liberdade de imprensa, elemento integrante do núcleo fundamental do Estado Democrático de Direito”, diz Aras.
O ofício será avaliado pela procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do DF, Fabiana Costa Oliveira Barreto.
Agressões
Profissionais de imprensa foram agredidos em frente ao Palácio do Planalto neste domingo (3) enquanto cobriam o ato. A equipe do jornal ‘’O Estado de São Paulo’ foi atingida por chutes, murros, empurrões e rasteiras.
O dia 3 de maio é celebrado em todo o mundo como o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A data é citada no ofício de Aras ao MP do DF.
Em transmissão do protesto nas redes sociais, o presidente disse que tem “as Forças Armadas ao lado do povo” e que “não vai aceitar mais interferência”. Disse, ainda, que pede a “Deus que não tenhamos problemas nesta semana, porque chegamos no limite”. Ele não explicou o que pretende fazer para evitar tais interferências ou qual seria o “limite” citado.
Um motorista do “Estadão”, que dava apoio à equipe de reportagem, foi atingido por uma rasteira. O fotógrafo Dida Sampaio, do mesmo jornal, foi empurrado e sofreu chutes e murros.
Ao todo, um fotógrafo, dois jornalistas e o motorista do jornal foram hostilizados e agredidos, verbal ou fisicamente. Segundo o veículo, eles deixaram o local para uma área segura, buscaram a ajuda da Polícia Militar e passam bem.
Além do “Estadão”, houve agressão e ofensa a equipes da “Folha de S.Paulo”, do jornal O Globo e do site “Poder360”.
Fonte: G1
