O Fundo Partidário é um dos listados na proposta que deve ser analisada pelos deputados (Agência Senado)
Dois deputados federais cearenses apresentaram, na Câmara dos Deputados, projeto de lei que cria uma fonte de recursos para o enfrentamento dos efeitos da pandemia de Covid-19 no Brasil. De autoria de Mauro Filho e André Figueiredo, ambos do PDT do Ceará, a matéria transfere valores de 29 fundos públicos para uso com o surto viral no País.
O projeto considera, para efeito de repasses, o saldo do superávit financeiro apurado em 31 de dezembro de 2019. De acordo com tabela que consta no texto, o valor dos fundos representa cerca de R$ 177 bilhões, mas André Figueiredo afirma que a soma pode chegar a R$ 190 bilhões. O montante previsto, a depender das discussões da matéria, pode ser alterado.
Entre os fundos que poderão ceder recursos para a pandemia, estão o Fundo Rotativo da Câmara dos Deputados; o Fundo Especial do Senado; o Fundo Partidário; o Fundo do Exército; o Fundo Nacional de Desenvolvimento; o Fundo Nacional Antidrogas; entre outros.
O texto diz que os recursos poderão ser aplicados de forma direta pela União ou por meio de transferências para os entes subnacionais, ou seja, estados e municípios. A pauta municipalista, inclusive, segue forte em Brasília cobrando a chegada de novos recursos nos interiores para o combate ao novo vírus.
A proposta determina que, em relação ao Fundo Social, fiquem de fora os recursos destinados à educação oriundos da exploração do petróleo no pré-sal. Na justificativa para a aprovação da matéria no Parlamento, os deputados argumentam que a crise na saúde acarretou também uma grave crise econômica no Brasil.
De acordo com a proposta, as estimativas com as despesas, como ampliação do crédito e o pagamento do auxílio emergencial, vão exigir da União recursos que precisam ser encontrados no âmbito orçamentário e ampliarão o déficit primário esperado para o Governo, de R$ 490 bilhões para R$ 656 bilhões, “o que elevará a relação dívida bruta/PIB dos atuais 77,2% para aproximadamente 87,3%”.
Por consequência, a receita pública deverá ser cada vez mais abalada com a necessidade de transferência de novos recursos para o tratamento de pacientes com Covid-19. “Urge a necessidade de utilizarmos saldos existentes há anos, sem aplicação, em 29 fundos públicos que integram a Conta Única do Tesouro Nacional, com a finalidade de oferecer sustentabilidade fiscal no médio e longo prazos”, diz trecho do projeto.
Proposta
“A proposta busca evitar um extraordinário endividamento do Brasil no período pós-pandemia, além de assegurar confiança para os investidores nacionais e internacionais”, disse o deputado Mauro Filho. O deputado explicou que a proposta surgiu em videoconferência de comissão mista com o ministro da Economia, Paulo Guedes, em 30 de abril. “Seria uma ótima ocasião de, em vez de emitir dívida, buscar esses recursos”, teria dito em resposta ao deputado, sobre o saldos dos fundos setoriais retidos no Tesouro. “Podemos desbloquear isso e justamente ‘pagar’ a guerra ao coronavírus”, continuou o ministro.
André Figueiredo diz que esses recursos dos fundos estão paralisados e sem projeto de execução do orçamento. O pedetista ressalta que a liberação da verba será fundamental para o País não apenas durante os decretos de calamidade pública, e que caracteriza também o isolamento social, mas também no período pós-pandemia, quando as movimentações econômicas ainda estiverem lentas. “Será um período muito crítico dentro da situação da estagnação econômica que o Brasil vai passar”, projetou o deputado federal.
A expectativa é que nos próximos dias seja votada a urgência do projeto na Câmara dos Deputados. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), está ciente da proposta, mas ainda não se manifestou publicamente acerca do texto. De acordo com André, a expectativa é que o projeto seja aprovado já na próxima semana.
Há conversas com a equipe econômica da Presidência da República para a institucionalização do projeto. Ou seja, para que a proposta seja uma pauta do próprio Palácio do Planalto.
Fonte: Diário do Nordeste
