Poeta Louise Glück conquista o Nobel de Literatura em 2020 (Reprodução)
Louise Glück, poeta americana de 77 anos, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2020. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (8) pela Academia Sueca.
Sem livros publicados no Brasil, a autora nova-iorquina foi premiada “por sua inconfundível voz poética que, com beleza austera, torna universal a existência individual”, segundo a instituição.
Considerada por muitos uma das poetas contemporâneas mais talentosas dos Estados Unidos, Glück é conhecida pela precisão técnica, sensibilidade e uma obra sobre solidão, relações familiares, divórcio e morte.
Seus primeiros livros são centrados em casos de amor fracassados, encontros familiares desastrosos e desespero existencial. Nos trabalhos posteriores, ela continuou a tratar de temas como decepção, rejeição, perda e isolamento.
Sua poesia é “caracterizada por uma busca pela clareza”, muitas vezes com foco na infância, na vida familiar e no relacionamento próximo com pais e irmãos, disse a Academia.
A entidade destacou sua coleção de 2006, “Averno”, chamando-a de “magistral” e “uma interpretação visionária do mito da descida de Perséfone ao inferno no cativeiro de Hades, o deus da morte”.
Atualmente, a escritora é professora de inglês na Universidade de Yale, em Connecticut (EUA).
Prêmios anteriores
Em 1993, Glück ganhou um prêmio Pulitzer por seu livro “The wild iris”. A obra, um exemplo claro do caráter onírico de sua poesia, é ambientada em um jardim e imagina três vozes: flores falando a um poeta-jardineiro, o próprio poeta-jardineiro e uma figura de deus onisciente.
Os poemas da autora também estão em livros, como “Firstborn”, (1968), “The house on marshland” (1975), “The garden” (1976), “Descending figure” (1980), “The triumph of Achilles” (1985) e “Ararat” (1990).
Seus destaques desta década são “Faithful and virtuous night” (2014), vencedor do National Book Award, e “Poems 1962-2012” (2012), que ganhou o Los Angeles Times Book Prize.
O crítico William Logan, do “The New York Times”, descreve a escrita de Glück como “o resultado lógico de um certo tipo de verso confessional, faminto de adjetivos, reduzido a um conjunto nervoso de verbos, intenso, quase ultrapassado. Seus poemas são sombrios, difícil desviar o olhar deles”.
Com a vitória de Louise Glück, o Prêmio Nobel já tem quatro mulheres laureadas neste ano. A primeira foi Andrea Ghez, que dividiu o prêmio com dois cientistas por sua pesquisa em buracos negros. Além dela, Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna ganharam o Prêmio Nobel 2020 em Química pela descoberta do Crispr, método de edição do genoma.
Fonte: G1
