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Igreja Universal sinaliza ruptura com governo Bolsonaro após omissão em crise na Angola
Igreja Universal sinaliza ruptura com governo Bolsonaro após omissão em crise na Angola
Fachada da igreja Universal (Foto: Beatriz Boblitz/O Povo)

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode perder o apoio da Igreja Universal do Reino de Deus. A possível ruptura pode acontecer após religiosos manifestarem a falta de respostas diante da deportação de pastores de Angola. O alerta foi feito a partir de pessoas próximas ao bispo Edir Macedo, fundador da igreja, e de congressistas do Republicanos, partido ligado à instituição evangélica.

Nesta sexta-feira, 14, o bispo Renato Cardoso, responsável pela Igreja Universal no Brasil e genro de Macedo, criticou diretamente o governo Bolsonaro em entrevista ao Jornal da Record, emissora do fundador da Universal. Cardoso falou em “decepção” e apontou “omissão” por parte do governo brasileiro no caso envolvendo conflitos sobre a permanência de pastores da Igreja Universal em Angola.

“O que mais nos indigna não é o que está acontecendo lá em Angola. É a ausência de autoridades brasileiras para interceder pelos pastores, pelos brasileiros em um país estrangeiro. Até quando o governo brasileiro vai ficar calado, passivo, diante desta situação?”, disse Cardoso.

O pastor disse que os religiosos são parcela importante da base de apoio do governo. Nas eleições de 2018, Edir Macedo apoiou e continua manifestando a defesa de Bolsonaro.“[O governo] já deveria estar fazendo cumprir os seus tratados internacionais com a Angola. Esse é o protesto, especialmente do povo cristão, do povo evangélico, do povo católico, que apoiou esse governo, faz parte da base do governo. Mas, agora recebe em troca uma omissão. É muito triste e decepcionante para o povo cristão no Brasil”, declarou Renato Cardoso.

O conflito entre evangélicos da IURD e o governo foi a alegada inação das autoridades brasileiras à ordem de deportação de 34 brasileiros do país africano. A medida foi imposta depois que a instituição religiosa disse ter identificado comportamento impróprio de angolanos e afastado essas pessoas do comando da Igreja Universal do Reino de Deus naquele país africano.

Em 2020, os angolanos determinaram o fechamento de templos da igreja da IURD no país, após a instituição ser acusada de atos ilegais, entre eles fraude fiscal e exportação ilícita de capitais. A igreja respondeu que recorreria da decisão. Bolsonaro chegou a enviar, em julho de 2020, carta ao presidente de Angola, João Manuel Lourenço, demonstrando preocupação e solicitando a resolução do conflito.

No Congresso Nacional, cerca de 1/3 da bancada de 33 deputados do Republicanos tem proximidade com a Igreja Universal. O partido tem um ministro no governo federal: João Roma, na pasta da Cidadania. Apesar da cúpula da sigla descartar um rompimento com o governo por causa desse caso de Angola, nos próximos dias, o grupo deve adotar tom mais crítico ao governo.

Na última quinta-feira, 13, um dos deputados ligados à Universal, Márcio Marinho (Republicanos-BA), discursou no plenário da Câmara contra a ausência do governo brasileiro na polêmica. “Até agora, nós não vimos nenhum comportamento de apoio aos missionários brasileiros por parte desse governo”, disse.

Fonte: O Povo

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