Jair Bolsonaro discursou em evento no Palácio do Planalto (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Diferentemente do que vinha afirmando, inclusive no discurso de abertura da 76ª Assembleia Geral da ONU, na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta segunda-feira (27) que a corrupção não foi eliminada no seu governo.
Durante evento da Caixa Econômica Federal para dar início à programação para lembrar os mil dias de mandato, o chefe do Executivo disse que a corrupção “diminuiu muito” desde que tomou posse.
“Quando se fala em mil dias sem corrupção… Eliminou-se a corrupção? Obviamente que não. Podem acontecer problemas em alguns ministérios? Podem, mas não será da vontade nossa. Nós vamos buscar maneiras de, obviamente, apurar o caso e tomar providências cabíveis com outros poderes sobre aquele possível ato irregular. Mas diminuiu muito a corrupção no Brasil, muito”, declarou Bolsonaro, em seu discurso.
“As pressões no passado eram enormes, em governos anteriores. Hoje existem pressões? Existem, mas bem menores”, acrescentou, dizendo, ainda, em tom positivo que há hoje um ministério “cada vez mais casando com o Legislativo”.
O presidente não esclareceu, contudo, se estaria falando de uma pasta específica ou de todo o seu ministério, e também ignorou as dificuldades do Executivo na articulação com o Congresso.
A admissão de possibilidade de corrupção em seu governo se dá no momento em que são divulgadas denúncias de irregularidades, envolvendo, principalmente, as compras de vacinas contra a covid-19.
Presidente diz que eleição de 2018 foi “atípica”
A bandeira do combate à corrupção foi um dos pilares da campanha de Bolsonaro na eleição de 2018 – chamada hoje por ele de “completamente atípica”.
“Não vai acontecer nos próximos 100 anos de forma igual”, disse Bolsonaro, sem explicar exatamente a qual especificidade se referia. “Estamos acompanhando já os debates antecipados para 2022. Eu sou o melhor? Não. Aqui mesmo, tem dezenas pessoas melhores do que eu, mas quis o destino que caísse o governo, a Presidência ficasse comigo, superando a facada. Uma eleição completamente atípica”, acrescentou.
Fonte: O Tempo
