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Suspeitos de causar desabamento do Edifício Andrea são denunciados por homicídio qualificado
Suspeitos de causar desabamento do Edifício Andrea são denunciados por homicídio qualificado
Ação de resgate dos desaparecidos sob os escombros do Edifício Andrea, em Fortaleza, segue há quatro dias, sem interrupções (Foto: Camila Lima/SVM)

Os engenheiros e o pedreiro apontados como responsáveis pelo desabamento do Edifício Andrea, em 15 de outubro de 2019, foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), nesta segunda-feira (25), mais de dois anos após a tragédia. Eles deverão responder pelo crime de homicídio duplamente qualificado e outros três delitos.

O desabamento do Edifício Andrea deixou nove pessoas mortas. Durante o período de salvamento, que durou 103 horas, sete pessoas foram resgatadas com vida pelos bombeiros. Um laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) apontou que a atuação dos engenheiros e do pedreiro foi “determinante” para o desabamento.

A denúncia, assinada pela promotora Alice Iracema Melo Aragão, da 109º Promotoria de Justiça de Fortaleza, pede a condenação dos engenheiros José Andreson Gonzaga dos Santos, Carlos Alberto Loss de Oliveira e do pedreiro Amauri Pereira de Souza. A defesa dos suspeitos, representada pelo advogado Brenno de Almeida, disse que irá analisar a denúncia para se posicionar posteriormente.

Os três deverão responder na Justiça pelos crimes de:

  • Homicídio qualificado, por emprego que possa resultar em perigo comum e por recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
  • Causar desabamento ou desmoronamento;
  • Lesão corporal de natureza grave, cometido em ato que podia resultar em perigo comum e contra maior de 60 anos;
  • Lesão corporal de natureza leve contra três vítimas sobreviventes.

“O comportamento dos denunciados, atuando na condição de engenheiros e pedreiro, tendo conhecimento dos problemas estruturais da edificação multifamiliar, do progressivo incremento da situação típica de risco, mesmo devendo e podendo agir para evitar o desabamento, deixaram de impedi-los e de evitá-los”, escreveu a promotora.

A promotora também solicitou que cópias dos autos sejam enviadas à Secretaria Executiva das Promotorias Executivas do Meio Ambiente, do Ministério Público, para que seja apurada a omissão da Prefeitura de Fortaleza na fiscalização e inspeção predial do Edifício Andrea.

Entenda o caso

O Ministério Público havia pediu à Justiça, em março de 2020, que os três fossem julgados pelo tribunal do júri. A Justiça determinou o julgamento por júri popular e aguardava que a denúncia fosse apresentada.

Segundo parecer de março de 2020 assinado pela promotora de Justiça Ana Claudia de Morais, os dois engenheiros e o pedreiro deveriam ser julgados por homicídio com dolo eventual, quando não há a intenção de matar, mas os agentes assumem esse risco.

Antes de desabar, o edifício passava por reformas, sob responsabilidade dos suspeitos. A intervenção não seguia normas de segurança e foi apontada pela perícia como “determinante” para o desabamento, de acordo com conclusão do inquérito da Polícia Civil.

Uma série de idas e vindas, iniciada com o indiciamento dos suspeitos pelo desabamento, vem causando lentidão no andamento do processo.

A tragédia

Os condôminos do Edifício Andrea haviam contratado a Alpha Engenharia, empresa do engenheiro Andreson Gonzaga, para fazer um processo de recuperação predial. A empresa iniciou as atividades corretivas um dia antes do desabamento, e os serviços manuais atacaram ao menos quatro pilares do condomínio, conforme aponta o laudo.

O processo decorre de entendimentos distintos entre a Polícia Civil e o Ministério Público estaduais. Enquanto o 4ª DP os indiciou por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), o MPCE entendeu que houve dolo eventual no caso, e pediu à Justiça que eles fossem julgados pelo Tribunal do Júri, uma vez que eles teriam assumido o risco de provocar as mortes.

Os advogados de defesa afirmam que os engenheiros e o pedreiro seguiram as diretrizes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e negam ter provocado o desabamento.

Fonte: G1 CE

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