Mulheres do Cariri expõem relações abusivas e o assunto se torna um dos mais comentados no Brasil - Site Miséria 

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Mulheres do Cariri expõem relações abusivas e o assunto se torna um dos mais comentados no Brasil
Até a madrugada de hoje (3) eram mais de 8 mil tweets com relatos sobre violências e assédios sofridos. Professores de escolas de ensino médio e cursinhos pré-vestibulares estão entre os nomes divulgados em lista pelo WhatsApp.
Izabelly Macêdo
*Antes de iniciar a leitura: há informações delicadas que podem desencadear gatilhos traumáticos

Na noite desta terça-feira (2), mulheres caririenses se uniram para expôr as inúmeras violências já sofridas em relacionamentos. Abusos psicológicos, físicos, verbais e relações sexuais sem consentimento foram relatados no Twitter com a hashtag #ExposedCariri. Nas primeiras horas da ação, o assunto já era um dos mais comentados do Brasil na rede social. Posteriormente, uma lista com os nomes dos acusados foi disseminada pelo WhatsApp. Entre eles estão professores de escolas de ensino médio e cursinhos pré-vestibulares. Não demorou para algumas mulheres sofrerem ameaças após a repercussão.

“No início era um relacionamento normal, perfeito. Mas, com o passar do tempo, tudo mudou.”, diz um dos relatos anônimos. Isso porque ela não se sentia mais à vontade para ter relações sexuais. Inicialmente, o namorado disse compreender, mas “foi se tornando tempo demais para ele suportar”. Ela passou a sofrer com chantagens emocionais e viveu situações contra a vontade. Ele não aguentava ouvir um “não”, ficava chateado, causava brigas e mantinha uma lista com todas as negativas que ela dava como provas para chantageá-la posteriormente. Esse é um dos relatos mais comentados por outras mulheres, que dizem ter passado – ou ainda passar – pela mesma situação violenta. 

Uma quantidade alarmante de menores de idade relataram situações abusivas e crimes sexuais que sofreram. Umas delas, de 16 anos, conta que no auge da adolescência não consegue manter relações amorosas devido duas violências sexuais sofridas na infância. O primeiro abusador foi um primo, o segundo, um amigo da família. “Tem algo de “errado” comigo”, diz. O uso das aspas na palavra que a culpabiliza deixa evidente o labirinto traumático em que vive: em parte, reconhece que aquilo não foi responsabilidade dela, mas mesmo assim se pune. Em apoio, mensagens que fortalecem a jovem e oferecem ajuda.

Menores de idade também relatam que no ambiente escolar os professores praticam assédio. Eles costumam oferecer notas, fazem comentários constrangedores, ofertam caronas, lançam olhares e alguns chegam a efetivar relacionamentos em sigilo. De acordo com as denúncias, algumas instituições, ao apurar os casos, demitem o assediador. Outras se isentam da responsabilidade e deixam as alunas vulneráveis em convívio com o acusado. Na lista de nomes que circula pelo WhatsApp, há renomados professores da região.

AMEAÇAS PÓS-DENÚNCIA

A identidade dos acusados não foi revelada nas publicações. No entanto, com a repercussão, foi organizado um grupo no WhatsApp com algumas mulheres para alimentarem uma lista com os nomes e a quantidade de casos atrelados a cada um deles. Logo em seguida, elas começaram a receber mensagens intimidadoras. Uma delas publicou um print para comprovar:

Um dos acusados envia mensagens de cunho ameaçador após repercussão Reprodução/Redes Sociais

REDE DE APOIO

A ação desencadeada na região segue a movimentação de mulheres de outras localidades do país que desde 25 de maio deste ano iniciaram as exposições via Twitter com o objetivo de encorajar vítimas a denunciarem e ajudar a reconhecer situações de violência. Os relatos publicizados devem servir para potencializar o apoio entre mulheres e tomada de consciência sobre os padrões de um relacionamento abusivo. Além do desabafo, apoio profissional foi divulgado pela hashtag:

REALIDADE REGIONAL

Até a madrugada de hoje (3) eram mais de 8 mil tweets acompanhados da hashtag. Tamanho engajamento evidencia a realidade violenta em que vivem meninas e mulheres do Cariri, a carência de espaços propícios ao debate e a falta de conscientização social. Vale lembrar:

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