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Cariri pode ganhar a primeira Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura
Na última segunda-feira (26), o secretário de Formação Artística e Cultural do Minc, Fabiano Piúba, reuniu-se com representantes das instituições para aprofundar o projeto. 
Bruna Santos
Xilogravura jose lourenço
Xilogravuras do Mestre José Lourenço. Foto: Ascom / PMJN

Um projeto de implantação de uma Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura no Cariri está sendo debatido por meio do Ministério da Cultura (Minc), da Universidade Regional do Cariri (URCA) — que detém o equipamento cultural Lira Nordestina — e da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Na última segunda-feira (26), o secretário de Formação Artística e Cultural do Minc, Fabiano Piúba, reuniu-se com representantes das instituições para aprofundar o projeto. 

A  expectativa é que a Lira Nordestina cumpra um papel importante para que a escola torne-se realidade. O Cariri é o coração pulsante do cordel e da xilogravura brasileira. A poética e a rima, por muitos anos, transportaram a informação até os leitores, nos folhetos de cordel, principais meios de comunicação da época”, escreveu a URCA em site oficial. 

A história das expressões no território surge ainda no final do século XIX e início do século XX, quando as feiras sertanejas nas cidades que compõe a região se tornaram grandes centros de produção de cordel, especialmente com a criação da Tipografia São Francisco — em Juazeiro do Norte — gráfica que mais tarde recebeu o nome de Lira Nordestina.

Destaca-se que a xilogravura é uma das marcas visuais mais reconhecidas da literatura de cordel. Nessa técnica, a ilustração é esculpida em madeira e depois impressa em papel ou tecido, criando as imagens que tradicionalmente acompanham as capas dos folhetos.

E é aqui no Cariri, no terreno fértil, com uma trajetória histórica de grandes poetas e xilógrafos, que poderá nascer a primeira escola do País, na verdadeira “capital simbólica” da literatura de cordel e da xilogravura na América Latina”, celebrou a Universidade Regional.

xilogravura

Foto: Samuel Macêdo

Lira Nordestina

A Lira Nordestina, é um dos espaços mais antigos do Brasil na produção de cordel e xilogravura. Entre os anos de 1932 e 1982, funcionou em Juazeiro do Norte como uma editora de cordel, tendo à frente José Bernardo da Silva. Inicialmente, surgiu com o nome “Folhetaria Silva” e somente em 1939 foi chamada de Tipografia São Francisco.

Em 1949, José Bernardo, que estimulou a ilustração das capas de cordel em xilogravura, adquiriu os direitos autorais dos folhetos de João Martins de Athayde, tornando a Tipografia uma das editoras de cordel mais importante do Brasil.

Na década de 1970 com a morte de José Bernardo, Maria de Jesus da Silva Diniz — filha de Bernando — ficou à frente da Tipografia. Em 1980, o espaço passa a denominar-se Lira Nordestina, por sugestão de Patativa do Assaré.

Em 1982, devido a crise econômica, Maria de Jesus vendeu a Lira ao Estado do Ceará que, em 1988 tornou o espaço patrimônio da Universidade Regional do Cariri. Hoje, o espaço ainda resiste e conta com nomes importantes da xilogravura, como do Mestre José Lourenço, que dedica-se a perpetuação da arte.

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