Sapo-do-araripe (Proceratophrys ararype), cobra-da-terra (Atractus ronnie), rato-do-cariri (Rhipidomys cariri) e soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni). | Foto: Ciro Albano. / Fábio Nunes / Robson Ávila / Igor J. Roberto
O Livro Vermelho dos Animais Ameaçados de Extinção do Ceará, publicado em 2022 e atualizado em 2025, reúne espécies da fauna cearense que correm risco de desaparecer. A atualização aponta quatro animais da região do Cariri em situação de ameaça: sapo-do-araripe (Proceratophrys ararype), cobra-da-terra (Atractus ronnie), rato-do-cariri (Rhipidomys cariri) e soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni).
A obra é resultado de pesquisas do Programa Cientista Chefe em Meio Ambiente, com financiamento da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap). O livro classifica as espécies de acordo com os níveis de risco definidos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que variam, em ordem de gravidade, entre: provavelmente extinta, criticamente em perigo, em perigo e vulnerável.
No Ceará, oito animais endêmicos podem desaparecer definitivamente, sendo quatro classificados como criticamente em perigo, três como em perigo e um como vulnerável. A lista de espécies endêmicas ameaçadas é composta por três répteis, três anfíbios, um mamífero e uma ave.
Considerando tanto as espécies exclusivas do estado quanto aquelas que também ocorrem em outras regiões, o levantamento aponta que 59 aves, 33 mamíferos e 18 répteis estão ameaçados de extinção no Ceará.
Animais e categorias
Criticamente em perigo
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Rã-de-maranguape (Adelophryne maranguapensis): encontrada na Serra de Maranguape, ameaçada pela especulação imobiliária e pela extração de bromélias;
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Sapo-do-araripe (Proceratophrys ararype): da Chapada do Araripe, sofre impactos do desvio de córregos e da agricultura;
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Sapo-de-cascon (Rhinella casconi): ocorre nas serras de Guaramiranga e Pacoti, sob forte pressão imobiliária;
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Soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni): única ave endêmica do Ceará, ameaçada pela redução da vazão hídrica dos aquíferos na encosta da Chapada do Araripe.
Em perigo
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Calango-de-limaverde (Placosoma limaverdorum): restrito às serras de Baturité, Maranguape e Aratanha, áreas afetadas pelo desmatamento e pela expansão urbana;
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Coral-de-lema (Apostolepis thalesdelemai): serpente encontrada em brejos do Planalto da Ibiapaba, do Maciço de Baturité e da Serra de Maranguape, regiões com elevado índice de desmatamento;
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Cobra-da-terra (Atractus ronnie): vive sob a serrapilheira de florestas úmidas e foi registrada no Maciço de Baturité, na Chapada do Araripe e no Planalto da Ibiapaba, sendo ameaçada pelo avanço do desmatamento.
Vulnerável
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Rato-do-cariri (Rhipidomys cariri): espécie com distribuição restrita à Chapada do Araripe.
Risco ligado à ação humana
Segundo o levantamento, os principais fatores que contribuem para o risco de extinção dessas espécies estão diretamente ligados à ação humana, como desmatamento, caça e sobrepesca, atropelamentos, uso desordenado do solo, expansão urbana e agrícola, degradação e redução dos recursos hídricos, introdução de espécies invasoras e mudanças climáticas.
As queimadas também figuram como um dos principais agravantes, afetando tanto a fauna quanto a flora. Somente em 2025, foram registrados 55 focos de incêndio na região do Crato, no Cariri, de acordo com dados da Secretaria de Meio Ambiente e Mudança do Clima (SEMMA).